• Bárbara Zago

Crítica: John Mayer e a eterna busca pelo seu interior


John Mayer uma vez escreveu “As a songwriter, you have a choice: are you going to write what’s out there or what’s in there?/ Como compositor, você tem uma escolha: você irá escrever sobre o que acontece lá fora ou sobre o que está aí dentro?”. O último lançamento do cantor reflete como sua escolha foi bem definida nesse caso. The Search for Everything contempla 12 músicas que tratam majoritariamente de assuntos como passado, mudanças e relacionamentos afetivos.

Lançado em abril deste ano, o álbum parece refletir muito sobre os sentimentos de John. Ele dá a entender que teve seu coração partido em músicas como Still Feel Like Your Man, que inclusive declarou abertamente ser sobre a cantora Katy Perry, com quem teve um relacionamento de idas e vindas até 2015; Helpless; Emoji of a Wave; Never on the Day You Leave e a própria auto-explicativa Moving On and Gettin’Over.

Never On The Day You Leave é uma música com grandes chances de mexer com quem a ouve, porque questiona decisões passadas, e como podem trazer uma espécie de arrependimento mais tarde. Logo no primeiro minuto da canção, ele menciona a questão da mudança, mas de forma sutil, praticamente simbólica “She’ll cut her hair and leave somewhere. She don’t owe you anything./Ela irá cortar seu cabelo e deixar em algum lugar. Ela não te deve nada.”. O corte de cabelo significa uma renovação, implica em uma mudança em maior ou menor grau, que é um dos questionamentos mais recorrentes em The Search for Everything.

Essa mudança fica clara na música Changing. John traz muito da ideia de que a mudança é constante, não tem hora certa para acontecer, o que acaba provocando um julgamento por parte do outro. Se esse movimento é eterno, ele próprio precisa aprender a lidar com as atitudes que estão fora de seu controle. Emoji of a Wave e Roll It on Home, apesar de esta ser uma das canções mais animadas do álbum, falam sobre como as pessoas irão te magoar e cabe a você enfrentar e dar uma resposta à isso. Inclusive, a palavra home/casa remete à ideia do corpo, do si mesmo, de suas origens.

Seguindo a linha desse questionamento, John escreve a música In the Blood, a melhor do álbum. Até que ponto essa mudança é possível? Seríamos apenas produto do destino, que ele ilustra como “Will it wash up in the water or is it always in the blood?/ Irá sair na água ou estará sempre no meu sangue?”?

Independente da resposta, ele mostra como alguns momentos e pessoas não desaparecem simplesmente em You’re Gonna Live in Me Forever. Ele revela como, ainda que no futuro as coisas mudem drasticamente, isso não exclui o fato de ter vivido e aquilo ter a devida importância pra quem ele é hoje.

Ainda que seja um álbum reflexivo, e que permite que o espectador se coloque no lugar de John e relacione as músicas com sua própria história de vida, ele deixa claro a importância de um relacionamento afetivo, como em Love On The Weekend, o primeiro single do álbum, ou até mesmo de ter uma zona de conforto. Em Rosie ele constantemente tenta retomar contato com alguém de seu passado, pedindo que lhe deixe entrar.

The Search for Everything tem uma pegada semelhante ao seu último disco, Paradise Valley, mas apresenta um caráter um pouco mais questionador, sobretudo sobre as questões de passado, mudança e futuro.

Nome do disco: The Search for Everything

Artista: John Mayer

Ano: 2017

Faixas: 12

Preço sugerido: R$ 39,90

Disponível nas plataformas de streaming

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