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  • Matheus Mans

Crítica: 'À Espreita do Mal' é bom suspense da Netflix


Máquina de bombas cinematográficas, a Netflix deixa qualquer um com dois pés atrás quando lança seus filmes -- principalmente produções de terror e de suspense, mais fáceis de errar. Porém, que boa surpresa é o longa-metragem À Espreita do Mal, lançamento no catálogo brasileiro da Netflix desta quarta-feira, 21, com uma daquelas histórias de tirar nosso fôlego.


Dirigido por Adam Randall (do fraquinho iBoy), o filme acompanha a rotina de uma família em frangalhos. A mãe foi desmascarada durante uma traição, o pai tenta processar os acontecimentos e o filho rejeita veementemente a mãe, sem qualquer sinal de perdão. As coisas ficam ainda mais estranhas quando uma "presença" na casa começa a perturbar a rotina.


É uma caneca que some, a televisão que liga sozinha, sons que não fazem sentido. À Espreita do Mal, aos poucos, vai nos colocando nesse universo que mistura terror e suspense em seus primeiros momentos, com tintas de Boneco do Mal, mas logo vai abraçando um suspense mais cinemão, misturando uma investigação de sequestro com a rotina atribulada dessa família.

O primeiro ato do filme, quando vamos conhecendo a vida desses personagens e mergulhando na história do sequestro investigado pelo pai (Jon Tenney), é o ponto alto do roteiro de Devon Graye (Os 13 Pecados). Ao melhor estilo Hereditário, vamos sentindo um pouco do sobrenatural na trama, assim como criando suspeições sobre a rotina, a vida e a conduta daquelas pessoas.


Depois disso, vamos entrando mais em uma sucessão de plot twists que realmente funcionam, mas que deixam À Espreita do Mal com um toque de artificialidade -- o excesso de coincidências, algumas explicações forçadas, resoluções que não encaixam. No entanto, é difícil não embarcar na proposta e na direção firma de Randall, que explora bem espaço e tempo.


Uma sacada final, em específico, que brinca com a edição e nos dá uma visão distorcida de fatos, mostra que o cineasta sabe como tratar a linguagem cinematográfica a seu favor, transformando o espectador em um verdadeiro ratinho de laboratório. Somos jogados de lá pra cá, sempre com ideias erradas do que está acontecendo na tela. A revelação final é forte.


Fica a sensação, no final, de que algumas coisas poderia ser melhor contadas, principalmente. A história do amante, como um todo, não faz sentido -- a cena da caneca não encaixa dentro da proposta, assim como é mal explicado o que acontece no porão. Mas À Espreita do Mal continua sendo uma surpresa agradável da Netflix, em um dos suspenses mais competentes do ano.

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