• Matheus Mans

Crítica: 'Playmobil' é filme infantil simpático, ainda que genérico


Quando anunciaram que os bonequinhos de LEGO ganhariam uma jornada própria nos cinemas, muita gente colocou a produção em dúvida. Afinal, o filme poderia se tornar bobo demais, sem vida. Mas nada disso aconteceu: Uma Aventura LEGO é uma das animações mais divertidas dos últimos anos. O medo do que o filme poderia vir a se tornar, porém, acabou se concretizando em uma outra produção: Playmobil: O Filme.

Dirigido, produzido e roteirizado pelo estreante Lino DiSalvo, o novo longa-metragem sobre as pecinhas coloridas conta a história de Marla (Anya Taylor-Joy) e de seu irmão, o aventureiro Charlie (Gabriel Bateman). Os dois vivem uma vida de companheiros e diversão até que os pais morrem num acidente. A partir daí, ela fica responsável por cuidar da casa e ser responsável. É o fim de uma vida de sonhos, animada e colorida.

As coisas entram na terra da magia, porém, quando Charlie foge de casa e vai parar numa espécie de museu dos brinquedos -- e Marla, claro, vai atrás. Lá, eles são sugados para dentro da terra dos brinquedos Playmobil, onde tudo pode se tornar realidade.

Essa, aliás, é a principal graça de Playmobil: O Filme. Assim como Uma Aventura LEGO, há uma percepção de que tudo é possível a partir dos brinquedos. No entanto, ao invés de apostar em personagens famosos, este novo filme resolve usar terras, épocas histórias e gêneros de filmes. Vikings, piratas, espaço, espionagem, dinossauros, amazonas. Tudo está aqui no longa-metragem de DiSalvo. Uma ode à imaginação

No entanto, o que Playmobil faz com essas possibilidades é menos interessante do que Uma Aventura LEGO fez há alguns anos. Primeiramente, nem todos os segmentos funcionam e algumas coisas ficam forçadas. Além disso, falta criatividade na forma de explorar esses novos universos. DiSalvo coloca de tudo um pouco aqui e a história, que tinha tudo para ser mágica, se torna genérica. Parece um amontoado de coisas.

Para você, leitor, ter uma ideia. Numa das primeiras cenas do longa-metragem, a excelente Anya Taylor-Joy (A Bruxa) e o simpático Gabriel Bateman (Quando as Luzes se Apagam) estão vivendo sonhos e, do nada, começam a cantar. O tom de musical é estranho e desconjuntado, já que acaba colocando a magia num momento fora do mundo de Playmobil. Por que não usar isso nos momentos certos, com algum sentido?

Além disso, tirando a transição entre vários mundos, nunca fica claro que Playmobil é um filme sobre Playmobil. Não há interações específicas com o formato do brinquedo. Até as mãos, estranhas e em formato de garra, são exploradas numa única cena. De resto, DiSalvo prefere apostar num clima de Uma Noite no Museu do que em algo a partir das dificuldades do brinquedo. É um filme que poderia ser de qualquer coisa.

O fato é que, apesar de ser um filme simpático, colorido e divertido, bom para crianças bem pequenas, Playmobil: O Filme é genérico, esquecível e pouco original. Tem algumas coisas interessantes, mas nada é aproveitado ao máximo. Uma pena. Playmobil, de alguma forma, acabou se tornando tudo aquilo que era temido em Uma Aventura LEGO. A missão de se tornar mais divertido e interessante não conseguiu ser cumprida.

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