• Matheus Mans

Há 25 anos, o Cinema perdia Audrey Hepburn, uma estrela além das telas


Bonequinha de Luxo. Sabrina. A Princesa e o Plebeu. Esses são apenas alguns clássicos que marcaram o cinema e, especificamente, a carreira da estrela Audrey Hepburn, que deixou o mundo em luto há exatos 25 anos. Dona de um olhar meigo e delicado, que rendeu papéis extremamente característicos ao longo de sua vida, Hepburn foi responsável por momentos marcantes e criou uma imagem difícil de ser esquecida. Mas ela é muito mais do que isso.

Dona de uma inteligência sem-igual e de uma coragem admirável, a atriz enfrentou tudo em sua vida: driblou a fome durante a Segunda Guerra Mundial, venceu todos grandes prêmios cinematográficos, aprendeu a falar cinco línguas e terminou sua vida como embaixadora oficial da UNICEF -- antes de ser vítima de um câncer no apêndice. “Audrey era única”, diz Amilton Pinheiro, membro da Associação Brasileiro de Críticos de Cinema (Abraccine), ao Esquina.

Sem dúvidas, não existem muitas personalidades como Audrey por aí. Ela nunca teve medo de reverter expectativas. Não é à toa que, após ter filhos com o psiquiatra italiano Andrea Dotti, resolveu largar o agito de Hollywood pela vida tranquila da Itália. O objetivo era ficar perto dos filhos e ter uma vida pacata -- o resultado disso, aliás, está todo documentado no ótimo livro Audrey, Mia Madre, escrito pelo seu próprio filho. Infelizmente, não tem tradução no País.

Ela também sempre rejeitou o status de sex symbol que tentavam impor, comparando-a com Marilyn Monroe e oferecendo apenas papéis de menina boba que se apaixona por todos os homens. "Acho que o sexo é supervalorizado”, disse a estrela, certa vez, em uma entrevista. “Não tenho sex appeal e sei disso. De fato, prefiro ter um aspecto curioso. Meus dentes são curiosos e não tenho os atributos que deveria ter uma verdadeira deusa do cinema".

A força de Audrey também vinha de uma dedicação sem freios. Ela tinha plena consciência de que o mercado cinematográfico era -- e, infelizmente, ainda o é -- machista. Por isso, não parava: segundo relatos, acordava cedo para estudar suas personagens e preparar o texto. Ela também chegava pontualmente no set para não render comentários negativos. “Ela tinha medo de não estar à altura de seus colegas”, revelou o filho Luca Dotti em uma antiga entrevista.

Assim, aos poucos e com uma força inabalável, Hepburn conseguiu reverter a imagem que sempre impuseram contra ela. Ao invés da bonequinha de luxo, Hepburn trilhou uma vida corajosa e que valoriza ajuda aos próximos. Ao invés da menina romântica sem filtro, ela se tornou uma mulher à frente do seu tempo, que decide o que fazer e para onde ir -- e tudo sem a imposição forçada de um rótulo. Pena que o mundo a levou tão cedo. Audrey faz falta no caos atual.

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