Resenha: 'Uma Casa no Fundo de um Lago' é livro ambicioso

26/11/2019

Amelia e James são dois adolescentes que marcam um primeiro encontro pouco usual: um passeio no lago. Com a canoa emprestada do tio do rapaz, eles partem numa romântica e marcante exploração pela região. Tudo vai bem, tudo está normal. Até que o casal se depara com um lago misterioso, não conhecido. E, no fundo deste lago, encontram a casa. Mobiliada, quase pronta pra morar. Só que com água por todos lados.

 

Esta é a interessante e curiosa premissa de Uma Casa no Fundo de um Lago, livreto de Josh Malerman -- conhecido por Bird Box, história adaptada pra Netflix. E digo livreto não por sua qualidade. Mas por seu tamanho. São 158 páginas adaptadas num livro de tamanho menor do que o usual e com letras mais espaçadas. É quase um conto que a Editora Intrínseca adaptou para o Brasil, na busca de captar os fãs do autor americano.

 

No entanto, ao contrário do que parece num primeiro momento, há motivos para guardar esta história de Malerman na prateleira. Ambiciosa, a trama é uma metáfora completa. Fala sobre relacionamentos líquidos, construção de confiança, exploração do sentimento alheio. Tudo isso embalado pela simpática e curiosa história da casa submersa, que gera estranheza e um conflito de interpretação muito interessante.

Malerman, afinal, é bom quando aposta nessas metáforas profundas, que quase escapam numa leitura mais rápida. Mas que, ainda assim, são palpáveis. Não é à toa que Bird Box é um ótimo livro, enquanto Piano Vermelho Inspeção estão muito abaixo. Enquanto no primeiro livro há uma metáfora que abre margem para boas interpretações, os outros dois ficam perdidos no mundo das ideias, sem ter para onde ir.

 

Uma Casa no Fundo de um Lago, felizmente, faz companhia para Bird Box. Em um momento ou outro, quase escapa da total compreensão. Mas, no geral, é muito positivo.

 

O que atrapalha o andamento do livro, porém, é a encheção de linguiça. Por mais que tenha apenas 158 páginas, há um excesso de repetição no formato da trama. Amelia e James -- que são dois personagens com um aprofundamento bem raso -- fazem sempre a mesma coisa. Se encontram, mergulham, exploram a casa. Se encontram, mergulham, exploram a casa. Se encontram, mergulho, exploram a casa. Não tem fim.

 

Isso, no começo, até passa despercebido. Mas aos poucos vai ficando chato, incômodo. Parece que Malerman inseriu a mesma fórmula, o tempo todo, pra fazer render. A sensação é de que o livro poderia ser encurtado em 30 ou 35 páginas. A história ainda faria sentido e a metáfora ainda existiria. Uma Casa no Fundo de um Lago seria apenas um pouco mais fino, mais rápido de ler e... bem, muito melhor do que seu resultado.

 

Afinal, ao virar a última página, há uma sensação de cansaço. Por mais que a sacada de conclusão seja excepcional, lembrando muito o bom final de Bird Box, é inevitável ter a sensação de que tudo não passou de uma história repetitiva, cansativa. A metáfora é muito boa, a conclusão idem. Assim como a curiosidade da premissa, que chama a atenção de qualquer um. Mais cuidado no desenvolvimento teria feito a diferença.

 

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