‘A Hora do Lobisomem’ valoriza o mito como poucas histórias

02/10/2017

Fazia tempo que queria ler A Hora do Lobisomem, livro do escritor norte-americano Stephen King que estava esgotado no Brasil há alguns anos. E que alegria quando a Editora Suma anunciou que iria relançar o conto como parte da Biblioteca Stephen King. Numa edição bem trabalhada e cheia de ilustrações, inclusive de ilustradores nacionais, o livro é de encher os olhos e de acelerar o coração com uma história frenética e que valoriza o mito do lobisomem como poucas.

 

A trama sobre um lobisomem que assombra a pacata cidade de Tarker's Mill é totalmente episódica e descentralizada. King cria este conto trabalhando em cima do mito do homem que se transforma em lobisomem. Não há personagens principais e, até a última metade do livro, não há personagens humanos para sentirmos compaixão ou verdadeiro afeto. São apenas descrições detalhadas de um lobisomem matando suas vítimas -- e que lembra um pouco Cujo, outro clássico de King.

 

O que poderia ser um desastre nas mãos de escritores estreantes ou pouco habilidosos, se torna uma história de perder o fôlego sob o comando de King. De leitura muito rápido e bem fluída, A Hora do Lobisomem impressiona pela riqueza de detalhes sobre os ataques do monstro e deve agradar os fãs de terror que anseiam por obras sobre licantropia. Não há enrolação, não há romances embutidos, não há exageros. É ação e descrição na medida certo para fãs do gênero.

 

O livro só ganha elementos humanos perto do quarto final da obra, quando é introduzida uma espécie de “herói” e também são revelados aspectos sobre a identidade do monstro. Ainda assim, porém, tudo é feito na medida certa e a humanidade introduzida é um ótimo contraponto para a monstruosidade do lobisomem. É uma sensação diferente de leitura e que vai na contramão de todos livros escritos por King. E vale um aviso: muitos fãs do estilo do escritor não devem gostar do resultado.

 

Ainda assim, porém, A Hora do Lobisomem é um dos melhores contos sobre a criatura que tanto fascina fãs de terror. Sem enrolação e indo direto ao ponto, Stephen King consegue criar uma história que valoriza o lobisomem, que deve agradar fãs do gênero e que não perde tempo com enrolações. E quem puder, desfrute da edição com ilustrações da Suma de Letras. Os desenhos ao final da história ajudam a acentuar o sentimento gerado com a trama e ajuda a intensificar a imaginação.

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