'A Viagem de Fanny' é Sessão da Tarde sobre 2ª Guerra Mundial

09/08/2017

É fato: a temática sobre a Segunda Guerra Mundial produziu uma infinidade de filmes. São histórias contadas a partir de diferentes visões e pontos de vista. Alguns mais históricos e outros mais fantasiosos. Alguns com boas histórias, outros com tramas nem tão boas assim. Agora, chega aos cinemas uma história com ares infantis, baseada em fatos reais, e pouco conhecida: A Viagem de Fanny, produção francesa sob o comando da cineasta Lola Doillon.

 

Desta vez, a história é sobre um pequeno grupo de crianças francesas judias tenta escapar de tropas nazistas. Para isso, os pais as mandam para um grupo, que fica responsável por cuidar dos pequenos e enviá-los para a Suíça, apartidária na guerra. A partir daí, o filme mostra a trajetória do grupo -- liderado pela Fanny, como o título sugere -- tentando sair da França e sobreviver no outro país europeu. Lembra um pouco o ótimo Lore, de 2013, sob a ótica alemã.

 

A trama, é claro, emociona. Afinal, é impossível ficar impassível ao grupo de crianças e que tenta sobreviver. É a mesma coisa vista -- ou lida, se formos falar de literatura também -- no incensado O Menino do Pijama Listrado ou no querido A Vida é Bela, que deu o Oscar para o ator italiano Roberto Benigni. Impossível passar por uma história como esta de maneira indiferente. Afinal, no meio do furacão e do sofrimento, estão as crianças, a mais indefesa forma do ser humano.

 

A diretora Lola Doillon, pouco conhecida fora da França, sabe disso e age para aumentar o sentimento. Closes no rosto das crianças são frequentes, assim como sequências que fazem qualquer um suspirar por conta do drama e do sofrimento. A atuação dos pequenos, natural e repleta de inocência, também ajudam a incrementar este sentimento. Destaque para Léonie Souchaud, a Fanny, e sua irmã, a pequena Georgette, interpretada por Juliane Lepoureau.

No entanto, a história não evolui. A Viagem de Fanny acaba entrando num ciclo sem fim, no qual as crianças fogem dos nazistas, eles chegam perto e elas fogem de novo. E ainda que as situações se alterem, o efeito é o mesmo e poucas coisas mudam de um momento para outro -- apenas a entrada ou saída de algumas personagens, muitas vezes sem justificativa narrativa. Isso  cansa e torna parte do filme cansativo, ainda que tenha apenas pouco mais de 90 minutos.

 

Outro fator que deixa a narrativa arrastada é o excesso de sentimentalismo. O que parece ser um recurso a mais no começo da trama, quase instintivo, se torna excessivo e deixa o tom de filme com um pé na pieguice. Sem dar spoilers: numa das últimas cenas, duas das crianças estão correndo, quando um papel -- que tem certa importância na história -- passa voando magicamente na cena, numa tentativa de forças ainda mais a emoção. É exagerado demais e tira o espectador da história.

 

No entanto, parece que a diretora Lola Doillon não está muito preocupada com isso. O filme não é um grande drama de guerra e não pretende ser o novo A Vida é Bela. Pelo contrário: é um drama para Sessão da Tarde. Para exemplificar esta ideia: eu, sem querer, assisti o filme dublado. E apesar dos problemas naturais da dublagem, não senti grandes prejuízos. É um filme que dá espaço para isso, assim como tem momentos de infantilização e sem um vínculo com a realidade.

 

O resultado final, então, vai de acordo com seu sentimento. Se você está procurando um grande drama de guerra, esqueça. Vá ver Dunkirk. Mas se você estiver procurando um filme despretensioso, para chorar e passar o tempo, vá ver A Viagem de Fanny. Ele vai cumprir este papel e você sairá da sessão inspirado pela história verídica desta garota francesa - e, é claro, fascinado pelos pequenos. É só esquecer os erros, fechar a mente e aproveitar a sessão.

 

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