Com show no SESC Belenzinho, Malu Maria fala sobre carreira e descobertas

19/11/2018

Malu Maria é um daqueles raros nomes da MPB que surgem inesperadamente e que logo pode ser chamada de artista. Inteligente e com uma capacidade musical acima da média, a cantora e compositora consegue criar letras fortes e melodias suaves, apostando na fluidez de sua arte. É, em resumo, uma artista de várias faces, vários significados e várias interpretações. "Nunca procurei por rótulos e nunca gostei disso. Sou livre e respeito as diferenças. Acho que isso é um reflexo da busca da minha vida", contextualizou a artista em entrevista exclusiva por e-mail com o Esquina.

 

Seu último disco, Diamantes na Pista, é prova disso. Dividido em nove faixas, ele traz canções mais dançantes, outras mais lentas e introspectivas. Outras ainda com referências curiosas, como a deliciosa Doctor Strangelove, sobre um amor de cinema -- e sobre muitas outras coisas. Essas canções, dentre outras coisas, serão apresentadas no SESC Belenzinho no sábado, 24, às 21h. Os ingressos variam entre R$ 6 e R$ 20. Abaixo, confira a entrevista completa com a cantora, compositora e instrumentista Malu Maria:

 

Esquina da Cultura: Malu, primeiro me fale sobre o show. O que está preparando? O que espera para a apresentação?

 

 

Malu Maria: No show vamos tocar o disco Diamantes Na Pista. Cada música foi feita com muita entrega e verdade. Ensaiamos as músicas do jeitinho que está no disco e todos os integrantes da banda estão super envolvidos no trabalho. O que se espera é podermos desfrutar de cada segundo do que preparamos. E que o show seja tão gostoso para o público quanto é pra nós enquanto tocamos. Detalhes como figurinos e surpresas ao longo da noite são pensadas com o maior carinho pra trazer ainda mais ludicidade a toda atmosfera que o disco carrega.

 

Esquina: Sua música é muito fluida, com muitas referências e transições entre gêneros. Como você encara o processo de criação? E como ser tão experimental e diversa num momento em que rótulos são procurados a todo instante?

 

Malu: Assim como você disse, tudo acontece de forma muito fluida e natural. As músicas surgem pra mim com muita naturalidade, é como se eu abrisse uma porta e lá vêm elas. Muitas vezes fico meses sem abrir essa porta mesmo sabendo que tem coisas atrás dela que não veem a hora de sair! (risos) As referências são variadas porque foi assim que eu me formei. Sou professora de pandeiro e de teatro, toco flauta transversal e já estudei a fundo a cultura circense, cresci ouvindo B52 , Beatles e Rolling Stones. Sou filha de Hippies, sempre estou aberta para novos sons. Meu irmão mais velho me apresentou Raul Seixas, Mutantes, Novos Baianos e assim fui crescendo e me formando musicalmente em meio a várias influências. Ainda bem.

 

Assim, o processo de criação se dá fazendo, errando e se surpreendendo muitas vezes. Se for esperar ficar perfeito, não faz nunca. Nunca procurei por rótulos e nunca gostei disso. Sou livre e respeito as diferenças. Acho que isso é um reflexo da busca da minha vida. Ao mesmo tempo vejo que isso confunde algumas pessoas na hora de tentar me entender. Mas não podemos forças as coisas. Sou o que sou. E o que sou, flui.

Esquina: Seu novo disco está concorrendo no prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). Qual sua expectativa?

 

Malu: Fiquei feliz de estar concorrendo ao lado de pessoas que eu admiro muito. Pode parecer demagogo, mas pra mim já tá ótimo estar ao lado da Elza Soares, Mauricio Pereira e outros artistas incríveis.

 

Esquina: Como você enxerga a música brasileira hoje? Qual sua análise sobre o cenário? Está melhor do que antes?

 

Malu: Melhor que antes não está, mas estamos produzindo muitas coisas boa e diferentes. Uma juventude muito criativa e talentosa não para de criar e fazer discos novos e a cena independente vem crescendo bastante. A tecnologia de uma forma geral viabilizou esse processo crescente de lançamentos de discos, singles e novos artistas em geral. Todo dia tem coisa nova pra escutar. Mas agora com esse novo panorama político, tenho a impressão que os artistas em geral vão encontrar novos obstáculos.

 

Esquina: Quais são seus novos projetos? Quais as expectativas do novo CD frente ao público?

 

Malu: Tenho muitas músicas novas e planejo gravá-las no início de 2019. Enquanto isso, vou fazendo o show desse disco e curtindo os Diamantes na Pista. Espero que o público curta comigo, pois estão todos convidados a brilharem juntos nessa pista como diamantes.

 

SERVIÇO

Malu Maria no show “Diamantes na Pista”

Data: 24 de novembro (sábado) às 21h

Local: Sesc Belenzinho - Teatro (rua Padre Adelino, nº 1.000 - Belenzinho - fone 0xx11-2076-9700)

Ingressos: R$ 20,00 (inteira), R$ 10,00 (meia) e R$ 6,00 (comerciários)

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