Conheça o 'Diário de um Astronauta', HQ em financiamento coletivo

07/05/2018

Um astronauta e o vazio do espaço. Essa é a inspiração dos quadrinhos Diário de um Astronauta, de Hung Yi Li, que está em financiamento coletivo no site Catarse. Mesclando o formato de HQs com um artbook das melhores ilustrações de Hung, o livro pretende versar sobre a simplicidade da vida ao mesmo tempo que tenta provar que os momentos do dia-a-dia são universais.

 

"Quando eu explico o tema do quadrinho para as pessoas, gosto de começar falando que não é uma história com uma grande odisseia, um grande vilão ou uma donzela indefesa", explica Hung em entrevista ao Esquina. "A elaboração de tudo foi ligada à simplicidade. Eu tive que esquecer tudo aquilo que eu aprendi na faculdade de Cinema de Animação e voltar para o básico".

 

Ou seja: de maneira reflexiva e sem uma trama muito elaborada, Diário de um Astronauta  quer fazer refletir por meio do desenho, dos traços, da ilustração requintada e, ao mesmo tempo, simples de Hung -- que usa técnicas de aquarela e de nanquim na maioria de suas ilustrações. É a melhor representação da arte, que causa reflexão sem ser. É um ponto de partida.

 

Abaixo, confira a entrevista completa do Esquina com o taiwanês Hung Yi Li. E de novo: se quiser conhecer mais sobre Diário de um Astronauta, entre na página do financiamento coletivo

Esquina da Cultura: Primeiro, me conte um pouco sobre a concepção do projeto. Como nasceu? Como foi o desenvolvimento?

 

Hung Yi Li: Bem, o projeto nasceu a partir desse personagem que eu fui adicionando aos poucos nas minhas ilustrações. Eu acho que o Astronauta surgiu porque quando se usa um material como aquarela, que está presente na maior parte das minhas ilustrações, é natural fazer o espaço, o universo e galáxias, principalmente por seu um material tão fluido. Isso incorporado com o quanto todo esse assunto é fascinante para mim.

 

Só que aquele cenário bonito precisava de um complemento, uma figura. Então, obviamente, um astronauta pareceu o mais apropriado. A partir daí a minha mente começou a criar várias aventuras dele pelo universo que eu corria para passar para o papel. É um imaginário muito extenso, então eu pude explorar bastante a minha criatividade.
 

A ideia de transformar essas ilustrações numa HQ veio aos poucos, porém pareceu um caminho natural para o Astronauta, por isso comecei a desenvolver o projeto. 

 

Esquina: Tenho falado muito com quadrinistas com projetos no Catarse e a maioria aponta que o financiamento coletivo é o futuro do quadrinho independente no Brasil. Você concorda? Por qual motivo escolheu esse meio?

 

HYL: Com certeza! O Catarse foi feito para isso, é como uma rede social, só que de quadrinhos, músicas, jogos e vários outros assuntos. Focando mais no cenário do quadrinho independente, é como se juntasse todos os amantes num só lugar, deixando mais fácil um apoiar o outro. Uma plataforma que torna um projeto bem mais acessível para o público, e é bastante prática na hora da distribuição. 

 

Eu acho que o quadrinho independente é justamente isso, independente. Se essa é a escolha do artista na hora de produzir um conteúdo que está apenas nas suas mãos, é legal poder ter o controle de todo o processo: criação, produção, arrecadação e distribuição. Isso tudo com um pouco mais de liberdade. Por isso que escolhi esse meio, ao tirar o mediador estamos cara a cara com o consumidor. É uma resposta muito mais direta e interessante. 

Esquina: A HQ pretende tratar sobre temas como imaginação, potencial interno dentro de cada um. Como foi a elaboração desses temas? Como chegar neles de modo sutil, sem afetar demais o texto das tiras?

 

HYL: Quando eu explico o tema do quadrinho para as pessoas, gosto de começar falando que não é uma história com uma grande odisséia, um grande vilão ou uma donzela indefesa. 

 

Eu acho que a elaboração de tudo foi muito ligada à simplicidade, Eu tive que esquecer por um tempo tudo aquilo que eu aprendi durante a faculdade de Cinema de Animação sobre grandes plot twists e armações de enredo e voltar para o básico: então, qual é a moral da história? 

 

E aí eu percebi que às vezes (ou muitas vezes) quem mais precisa disso não são as crianças, e sim nós, "adultos". 

 

O que acontece numa jornada do herói em que algumas vezes o vilão é ele mesmo? Outras vezes ele descobre algo que estava dentro dele o tempo todo. Ao observar um buraco negro que às vezes não seja tão externo. Ao ver a criação de inúmeros sóis. Ou seja, o texto é composto de frases, pensamentos do Astronauta, coisas que parecem óbvias, mobrais, disfarçadas de observações, abertas a inúmeras interpretações e também cobertas de pequenos puxões de orelha (afinal, quem não precisa!?). 

 

Esquina: Você já tem uma carreira em outros campos da arte, sendo formado em cinema e investindo, depois, em ilustrações próprias. Qual o "sabor" desse projeto comparado com as suas outras obras?

 

HYL: Todos os outros projetos que eu já participei eu sempre tive aquela preocupação de fazer o meu melhor roteiro, ou meu melhor desenho. Uma cobrança gigantesca de mim mesmo. E dessa vez pareceu diferente. Honestamente, não sei muito bem como descrever, mas Diário de um Astronauta é um projeto que foi estranhamente mais fácil de criar. Como se eu estivesse jogando um jogo de RPG em que o próprio personagem estava me guiando por infinitas possibilidades. Pode parecer clichê (e provavelmente é), mas de fato eu me senti mais próximo de um pequeno eu que estava criando e desenvolvendo algo só por se divertir. Muitas vezes nós nos esquecemos disso, como artistas (e pessoas né) estamos sempre tentando nos superar a cada obra. Foi bom ter deixado isso um pouco de lado, e eu realmente recomendo e espero conseguir fazer novamente. 

 

Esquina: Quais suas expectativas com relação ao projeto? O que espera daqui pra frente? 

 

HYL: Espero que muitas pessoas possas usufruir dessa história. Mas sem dúvida, será muito gratificante ao ver que consegui realizar mais uma obra na minha caminhada de aprendizagem na área artística. Depois do término da campanha do Catarse a minha próxima etapa é o FIQ desse ano, e estou muito ansioso. Sem dúvidas vou estar próximo de artistas muito mais experientes, ou que compartilhamos mais ou menos a mesma jornada. Enfim, por ser um projeto que é de fato pessoal pra mim, se uma pessoa se identificar com a história e se sentir acolhida por ela de alguma forma, já vou ficar muito feliz! 

 

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