Crítica: Mallu Magalhães faz disco certo na hora errada

14/07/2017

Há pouco tempo, a cantora Mallu Magalhães se envolveu em uma polêmica ao ser acusada de racismo com o clipe da música Você Não Presta, onde coloca bailarinos negros atrás de uma grade de ferro. Depois disso, deu uma declaração polêmica no programa de Fátima Bernardes dizendo que “branco também faz samba”. Polêmicas a parte, impossível negar: seu novo disco, Vem, mostra que a cantora paulista amadureceu com um trabalho conciso e com arroubos de grande cantora.

 

Ao apreciar o novo disco, Mallu não deixa o ouvinte escapar da polêmica: Você Não Presta é a música que abre o álbum, com uma instrumentalização pesada e que mostra a evolução vocal da cantora. Afinal, ao contrário do que era visto em Pitanga, seu último disco lançado há seis anos, ela não precisa mais de espaço para mostrar sua voz, sempre tímida e frágil. Pelo contrário: a rapariga entra nas ondas instrumentais Mario Adnet e Marcelo Camelo, mostrando que sua vida mudou e a voz cresceu.

 

E esta sensação permanece em Culpa do Amor, onde Mallu consegue crescer no refrão e aproveitar de um suingue que permanece em toda a música -- apesar de ainda faltar um pouco para ela alcançar outras cantoras do gênero. Casa Pronta resgata um pouco a Mallu de outrora, quando ela apostava em canções “bonitinhas” -- no melhor sentido da palavra -- e tinha menos pretensão vocal. Assim, ela mostra que consegue domar a voz quando quer e permanecer como a cantora que conhecemos há algum tempo.

O grande ponto alto do disco, porém, chega logo na metade, quando a cantora apresenta o hit potencial Vai e Vem, que tem um começo meloso, mas que ganha força com o avanço das notas. Se não fosse a polêmica com Você Não Presta, esta música já seria o seu novo sucesso da carreira. É esperar para ver. Além disso, ela também se destaca em Será que um dia, com notas mais longas e maior exigência vocal de sua parte. Não é tão boa quanto Vai e Vem, mas ajuda a consolidar o disco.

 

Depois, Vem entra numa espécie de campo de experimentação, quase um “lado B”. Pelo Telefone, que não é aquele samba de Donga, e Navegador aposta em águas bossa novianas, em um timbre mais calmo e sem a efervescência musical vista nas primeiras canções. Acalma quem está escutando, acalma Mallu e deixa o álbum mais gostoso de ouvir, ainda com a finalização em Gigi, uma clara homenagem à mãe de Mallu e que comove quem ouve. Ótima música para quebrar opinião de quem acha a cantora um tanto quanto plastificada.

 

Pena, porém, é a música Love You, gravada em inglês. Totalmente fora de ordem no disco, não mostra ao que veio e parece ter sido inserida para um possível sucesso no exterior, quando ela fizer seus shows em Portugal. É deslocada e tira o ouvinte da sequência, que não consegue entender o que aquela música está fazendo ali. Depois disso, tem Linha Verde: não é ruim, mas não consegue recuperar o ouvinte de Love You, deixando a pessoa fora da experiência musical do álbum.

 

No entanto, esta escorregada no final não compromete a qualidade final de Vem. O disco é direto ao ponto, com vários hits em potencial - principalmente Vai e Vem e Você não Presta, apesar dos pesares. Sem dúvidas, seria um álbum de sucesso se não fosse o momento tenso do País e falta de sensibilidade de Mallu em tratar algumas das questões. Mas nada disso tira o brilho musical do conjunto da obra, que deixa Vem no posto de um dos melhores discos de 2017.

 

 

 

 

 

 

 

Nome do disco: Vem

Artista: Mallu Magalhães

Ano: 2017

Faixas: 10

Preço sugerido: R$ 39,90

Disponível no streaming

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