Crítica: ‘15:17 - Trem para Paris’ é bobagem bélica e patriótica

O ano de 2018 já teve o desprazer de contar com alguns longas bem ruins como Vende-se Esta Casa, A Maldição da Casa Winchester e Cinquenta Tons de Liberdade. Agora, mais um filme se une à lista: 15:17 - Trem Para Paris, novo longa-metragem do diretor e ator Clint Eastwood (Gran Torino) que perdeu a mão numa história cheia de mensagens patrióticas, catolicismo enlatado e três protagonistas que não emocionam nem o mais conservador dos americanos.

 

A produção conta a história real de três amigos que impedem um atentado terrorista em um trem de passageiros que parte rumo à Paris. São eles Spencer Stone, Alek Skarlatos e Tony Sadler, sendo que os dois primeiros são soldados militares. Clint, a partir dessa história, fez uma jogada de marketing que parece inteligente à princípio: chamou o trio verdadeiro para refazer seus passos no filme e reviver todo o terror que passaram no trem. E os três, claro, aceitaram.

 

No entanto, essa tentativa de dar um ar verídico à produção vai por água abaixo quando as primeiras cenas envolvendo Stone, Skarlatos e Sadler são exibidas. O trio é um desastre. Claro, eles não são atores e não deveriam encarnar Robert de Niro na tela. Mas a partir do momento que aceitam participar de um filme da magnitude de Clint Eastwood, deveriam se esforçar. E isso só acontece com Stone, que tenta. Sadler é carismático e só. Já Skarlatos é uma catástrofe.

 

O resto do elenco, formado por atores reais em sua maioria, até tenta, mas não tem material pra trabalhar -- principalmente Judy Greer e Jenna Fischer. Os atores mirins também são ruins, mas parecem os novos Al Pacino em comparação com o trio principal. Que desastre!

 

Seria bom, porém, se os pontos negativos terminassem no elenco. Mas não: todo o filme é um desastre. A começar pelo péssimo roteiro da estreante Dorothy Byskal e baseado no livro escrito, claro, pelo trio. A história é até boa no começo, quando tenta humanizar os garotos, mas não dá certo. Há muitas cenas inverossímeis (como o interesse de crianças do Fundamental por táticas de guerra) e momentos para jogar no lixo. O trio, na verdade, é bem pouco interessante.

A história, que resvala -- beeeeem de longe, ao contrário do que o Estadão disse -- em Gran Torino e Sobre Meninos e Lobos, também tenta se aprofundar em alguns temas específicos como a criação de crianças por mulheres solteiras, religião e sacrifício pela guerra, mas não dá certo também. Tudo isso acaba ficando preso numa história que não leva a nada sobre três garotos privilegiados da Califórnia que nunca passaram por nada de complicado além do atentado no trem.

 

A edição do filme também é péssima. Talvez por incompetência do trio de atores, não há coerência nas cenas. Num momento, estão na Alemanha e, no outro, na Holanda. Em certo momento, combinam de participar de uma festa à noite em Roma. Depois, essa festa nem é mais citada e o espectador não tem ideia do que está acontecendo. Enfim: é uma bagunça generalizada, causada pela direção fraca de Clint e das atuações do trio, que não conseguiu ser salva na edição por Blu Murray (Sully).

 

De bom, pouquíssima coisa. Só uma ou outra cena espirituosa, como algumas brincadeiras entre os amigos, e a tal da cena do trem -- que dura 15 minutos e é bem anticlimática, ainda que seja bem filmada. Mas nenhum desses pontos ajuda a salvar 15:17 - Trem para Paris de um desastre total. É panfletário, patriótico em excesso e, principalmente, muito mal feito, interpretado e dirigido. Dificilmente irá escapar de fatídicas listas de piores do ano em 2018. Merece.

 

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