Crítica: '22 Milhas' é filme enérgico, ainda que convencional

17/09/2018

A parceria entre o ator Mark Wahlberg e o diretor Peter Berg começou com o surpreendente O Grande Herói, de 2013. Desde então, a prolífica dupla já emplacou outros dois trabalhos juntos: o interessante Horizonte Profundo e o mediano O Dia do Atentado. Para fechar, o quarto longa-metragem de Wahlberg e Berg chega às salas de cinemas brasileiros a partir desta quinta-feira, 27: o enérgico e explosivo 22 Milhas.

 

No novo trabalho da dupla, Wahlberg é um agente secreto da CIA que age para evitar atentados terroristas. O que conduz a trama, no caso, é uma dica dada por Li Noor (Iko Uwais), um policial paquistanês que age como agente duplo. Segundo ele, há informações em um disco rígido que informa onde estão espalhadas amostras de uma arma química. No entanto, para que o governo americano tenha acesso ao drive, há uma condição: levar o agente paquistanês para a segurança e conforto dos Estados Unidos.

 

E é aí que surge a tal história das 22 milhas: para levar Li Noor ao aeroporto, será preciso percorrer o equivalente a 35 quilômetros entre a embaixada dos Estados Unidos e o avião. Nesse percurso, paquistaneses e interessados na arma química farão de tudo para impedir o sucesso da missão de Wahlberg e matar Noor, o único com acesso aos dados.

 

O começo é deveras irritante: a edição da dupla Melissa Lawson Cheung (Outlander) e Colby Parker Jr. (Homem-Formiga) é frenética demais, chegando a complicar a total compreensão do que está desenrolando na tela. Além disso, Berg e a roteirista estreante Lea Carpenter juntam muitas linhas narrativas de uma vez só e aumentam ainda mais a confusão. Dá vontade de levantar da poltrona do cinema e ir embora.

No entanto, tudo acaba se ajeitando: a edição fica mais moderada, ainda que o tom frenético continue lá, e se torna uma aliada para o ritmo de 22 Milhas ser mais interessante. Além disso, ainda que o início da divisão narrativa dê esse ar de que nada faz sentido ali, o roteiro mostra-se mais sagaz do que deveria ser e, no final, bem mais simples do que parece. No final, tudo se acerta e a ação acaba tomando conta da tela.

 

Wahlberg, como sempre, mostra-se extremamente limitado em termos de interpretação -- talvez suas únicas grandes atuações tenham sido em Boogie Nights e O Grande Herói. Mas ele não compromete o resultado, como em nenhum outro longa-metragem de Berg. Afinal, se sai muito bem na ação. O mesmo vale para os fracos Ronda Rousey (Velozes & Furiosos 7), Lauren Cohan (O Boneco do Mal) e Iko Uwais (Operação Invasão). Se saem bem apenas quando a pancadaria rola solta -- principalmente Iko, quase um novo Bruce Lee.

 

Assim, com cenas de ação bem coreografadas e filmadas -- e com muita, repito, muita violência -- e uma história de corrida contra ao tempo num espaço determinado, ao velho estilo de Duro de Matar, o filme de Berg ganha um caráter enérgico, intenso e bem explosivo. O tempo passa voando e nem se sente os 90 minutos do longa-metragem. Seria melhor, porém, se a história de mocinho e bandido não fosse tão batida e tão clichê. Os americanos, salvadores, contra os orientais e russos. Já deu disso, não é?

 

22 Milhas não é um filme que reinventa a roda, nem que irá arrastar multidões aos cinemas. Nem, ao menos, levará alguma chance ao Oscar como O Grande Herói tão bem o fez. Mas, no entanto, oferece um divertimento interessante e um bom escape ao público que busca um passatempo. E, se depender da conclusão e dos ânimos de Berg e Wahlberg, talvez pinte mais uma franquia ao estilo James Bond, Jack Ryan e por aí vai.

 

O fato é que bons e divertidos filmes de ação nunca são demais. Vale o entretenimento.

 

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