Crítica: 'A Garota do Armário' é delicado filme francês sobre amadurecimento

22/09/2017

Existem inúmeros filmes  --  seja de qual origem for  -- que falam sobre amadurecimento. Sobre a difícil fase da vida, encravada bem no meio de nossa adolescência, na qual começamos a perceber as responsabilidades, deveres e a notar como o mundo, às vezes,, pode ser cruel conosco. Este é o tema principal do delicado filme francês  A Garota do Armário,  que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 21.

 

No centro da trama, Anouk (Jeanne Jestin, estreante), uma menina de 14 anos que precisa de um estágio para passar durante suas férias. Depois de uma decepção numa emissora de televisão, a menina decide ir para a empresa onde a mãe trabalha  --  uma grande seguradora da França. Lá, além de enfrentar os problemas burocráticos que qualquer grande firma enfrenta, Anouk precisa enfrentar problemas morais.

 

Pois é. A seguradora onde a mãe trabalha faz alguns trambiques para evitar que parte dos seus segurados não receba o que lhes é devido. Anouk logo na primeira semana já descobre isso e o clima esquenta entre ela, sua mãe e alguns outros funcionários da empresa. A partir daí, ela vai ter que se decidir: ou enfrenta o sistema e tenta mostrar os problemas na seguradora ou ouve a sua mãe e apenas fica quieta.

A jovem atriz Jeanne Jestin faz um boa estreia nos cinemas. Carregada na emoção, ela faz com que o espectador entenda o seu drama. Há, também, uma faceta rebelde na menina que, apesar de aparentar ter bem menos idade, começa a querer soltar as asinhas e a fazer o que ela acha melhor -- até causando certa antipatia no começo, mas que acaba suavizando com o passar da trama. Tem que ficar de olho em Jestin.

 

Vale destacar também a atuação de Émilie Dequenne, a mãe de Anouk e que também conta com bons momentos em tela, ainda que dê a impressão que foi desperdiçada em outros. Ainda assim, boa atriz do cinema francês.

 

A direção de Marc  Fitoussi é correta,  mas nada surpreendente ou que se equipare ao ótimo e subestimado  Copacabana, estreia de Fitoussi e com Isabelle Huppert no elenco. Neste, porém, faltou inspiração, ainda que consiga imprimir delicadeza sobre um tema delicada e que, de um jeito inventivo e singular, mostra as etapas do amadurecimento. Sem dúvidas, não há um outro filme com mesma temática.

 

Falta de inspiração também está no roteiro: é correto, apenas. Ainda que seja curiosa a ideia de mostrar o amadurecimento por meio de um estágio no emprego da mãe, a trama falha ao criar saídas fáceis para certas situações e ao esquecer de histórias pelo caminho  -- como um certo romance que surge no meio da trama e que, do nada, acaba desaparecendo sem explicações e questionamentos.

 

Com essa soma de direção e roteiro apáticos,  o resultado poderia ser sem-graça. Ainda assim, porém, Jeanne Jestin consegue imprimir o carisma necessário para sua personagem, tornando a película um pouco mais atrativa, delicada e interessante. Ainda assim, porém, é esquecível e sem uma grande marca que a torne elogiável. Vale para passar o tempo e se deliciar com a delicadeza que só o cinema francês possibilita.

 

 BOM

 

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