Crítica: 'A Livraria' é singelo filme sobre paixão pelos livros

23/03/2018

Alguns anos após perder seu marido para a Guerra, a viúva Florence Green, moradora de uma cidade no interior da Inglaterra, decide abrir uma livraria. A pequena cidade não contava com uma venda de livros há anos e seus habitantes não mantinham o hábito da leitura. Mas, movida pela paixão por livros, Florence não desiste de realizar esse sonho  mesmo com a cidade contra ela.

 

Ganhador de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro Adaptado no Goya, o Oscar espanhol, A Livraria é um singelo e delicado filme que nos narra os obstáculos de Florence Green, perfeitamente interpretada por Emily Mortimer, de Ilha do Medo. Em momento algum duvidamos da intenção, da veracidade e dos sentimentos que a atriz nos passa durante o longa. Com uma atuação sem exageros e bem elaborada, Emily Mortimer é a alma do filme.

 

Muito bem planejada, a fotografia surpreende nos momentos certos, sabendo quando mudar para conseguir transmitir o que o filme pede. A locação e direção de arte também ajudaram nesse aspecto. Afinal, como o filme se passa em uma época específica -- a Inglaterra no pós-Segunda Guerra -- a caracterização e composição dos cenário pede mais atenção e cuidados.

Por fim, o prêmio de Melhor Direção foi bem merecido pela diretora espanhola Isabel Coixet. A ideia de ter uma narradora durante o filme é, como sempre, muito arriscada. Porém, no caso de A Livraria, essa narração se encaixa perfeitamente pois nos dá a impressão de estarmos lendo um livro. E, obviamente, os outros fatores do filme ajudaram nessa impressão, tornando-o extremamente bem balanceado e de acordo com a história que está nos passando.

 

Um dos únicos problemas do filme é seu público alvo. Esse é um daqueles filmes que não vão mover multidões para o cinema, e sua narrativa por vezes é lenta, algo que muitos espectadores não estão acostumados. O tipo de narração também não ajuda muito nesse aspecto, deixando a história mais arrastada, apesar de ao final se torna mais intrigante e surpreendente.

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