Crítica: 'A Pequena Suíça', da Netflix, é comédia previsível

19/08/2019

Ultimamente, as produções espanholas estão surpreendendo quem explora o catálogo da Netflix. Filmes como Depois da Tormenta Um Contratempo surpreenderam quem se aventurou no suspense europeu, enquanto as séries La Casa de Papel As Telefonistas se tornaram sucessos globais. No entanto, uma comédia espanhola que chegou ao catálogo na última sexta, 16, não poderia ser mais banal: é A Pequena Suíça, produção original da Netflix e dirigida pelo estreante em longas de ficção, Kepa Sojo.

 

A trama de A Pequena Suíça acompanha a jornada de uma pequena cidade, localizada na região central do País Basco. Os moradores do local, que tem um forte aspecto bucólico, vivem entre duas realidades. Afinal, a cidade ainda é considerada espanhola, apesar de estar no coração da província basca. E, quando tentam se tornar município basco, são rejeitados por conta de acordos comerciais. É aí que eles decidem, num ato de desespero, pedir á Suíça que os anexe por conta de uma descoberta arqueológica.

 

O longa-metragem lembra qualquer outra produção que relate cidades interioranas de grandes países europeus -- como o delicioso Normandia Nua, no interior da França. E isso poderia ser a receita para o sucesso se Kepa Sojo tivesse seguido uma fórmula batida, mas eficaz, de mostrar a saga da cidade como um todo, trazendo pequenas participações de personagens, e com deliciosos aspectos daquela vida em comunidade. A própria localização atípica da cidade traria os elementos diferenciais ao longa.

No entanto, Sojo acaba investindo em piadas bobas, personagens estereotipados e histórias que se sobrepõem ao possível aprofundamento da cultura basca. Não há muitas produções leves e divertidas sobre a região. Um filme dessa maneira, distribuído globalmente pela Netflix, poderia despertar a atenção das pessoas. Mas, da maneira que foi conduzida pela diretor estreante, só serve par afastar ainda mais. É um besteirol espanhol, mas sem piadas que funcionem. Só um amontoado de clichês e bobagens.

 

Veja os personagens principais, por exemplo. Gorka (Jon Plazaola) e Yolanda (Maggie Civantos) que são envolvidos em situações que beiram o ridículo desde a primeira cena. Química forçada, situações delirantes. Difícil agradar. O padre Don Anselmo (Secun de la Rosa) é a caricatura mais óbvia e banal que se faz se figuras religiosas. Não há um pingo de criatividade na sua construção -- assim como a do prefeito e do chato da cidade.

 

O que move retratos interioranos da Europa são as boas descrições e recriações do que é viver lá. Pode ser feito graça (como em Normandia Nua, já citada), desde que faça sentido e seja criado um vínculo com o espectador. Dessa forma que foi feita pela Netflix, só há desserviço. Um local de cultura tão rica e plural acaba servindo apenas para piadas sem graça e, o pior, para colocar uma complexidade regional à serviço de outros países, outras regiões. Não é bom de assistir. Não tem graça, não tem cultura.

 

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