Crítica: 'Alguém Especial', da Netflix, é comédia realista e bem feita

22/04/2019

A chamada da Netflix engana. Diz que Alguém Especial é uma comédia sobre uma mulher que rompe seu namoro e sai na noite para curtir com as amigas -- algo que, de alguma forma, lembra o fraco A Noite é Delas. Mas não é nada disso, pra variar. Dirigido pela estreante Jennifer Kaytin Robinson, o longa-metragem acompanha, de fato, a jornada de uma mulher (Gina Rodriguez) que acabou de ver seu namoro de nove anos terminar. Mas o foco do filme está longe de ser uma noite de curtição, bebida e saídas.

 

Roteirizado pela própria Kaytin Robinson, a produção original da Netflix mostra, de maneira empoderada, como uma mulher lida com o fim de um romance. Nada daquelas bobagens dela ser dependente do namorado ou coisas do tipo. Não somos mais neandertais. Se você abrir a janela, não vai encontrar mamutes passeando por aí. A mulher pode, e deve, assumir o seu próprio protagonismo. É algo que o cinema romântico, nos últimos anos, não possibilitou. Havia sempre uma forte dependência.

 

O filme, então, acompanha o dia após a separação. A protagonista, Jenny Young, é chatíssima, mas está bem interpretada por Rodriguez (Aniquilação). E as coisas funcionam ainda mais quando ela começa a interagir com as amigas Blair (Brittany Snow) e Erin (DeWanda Wise). Ainda que cada uma tenha problemas em tela, a química entre as três é contagiante. Bem escritas, são mulheres reais, que podem ser encontradas na vida que a gente, eu e você, levamos. Nada de exageros e estapafúrdias.

Tecnicamente, o filme também eleva alguns degraus ao se pensar no gênero das comédias. A paleta de cores e a fotografia é agradável quando a protagonista tem flashbacks com o ex-namorado. As cenas são bem orquestrada e, novamente, bem naturais. Difícil não se ver em algumas das situações. Além disso, a reação de Jenny ao rompimento é tão... cru. É fácil se ver naquilo e não há nada extravagante no término. É verdadeiro, por si só. E o final é coerente. Uma cena quase estraga, mas volta atrás.

 

O que tira a qualidade do filme como um todo é o ritmo exageradamente lento e com sequências desinteressantes. Afinal, a proposta de Kaytin Robinson é acompanhar um dia inteiro da protagonista. E isso inclui momentos sonolentos, outros em que nada acontece. Talvez, aqui, fosse preciso um apuro melhor de roteiro e edição. Muitas pessoas podem acabar desanimando e encarando o longa-metragem como algo pouco interessante -- ainda mais com os momentos de chatice da personagem de Gina.

 

Mas, ainda assim, Alguém Especial é um daqueles filmes que traz a realidade de maneira interessante e surpreendente. Há problemas na estrutura narrativa, mas o objetivo geral é louvável -- e que lembra, de leve, a boa comédia adolescente Dude. Não que comédias românticas estereotipadas não sejam bem-vindas. Mas é bom ter um refresco como esse, de vez em quando, que traz a realidade para um assunto tão romantizado e pouco verdadeiro. Os erros, de certa maneira, passam quase batidos.

 

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