Crítica: 'Amor em Jogo' falha ao retratar a homofobia no futebol

05/11/2019

Amor em Jogo é uma comédia romântica israelense que narra a história de Ami Shushan (Oshri Cohen), um jogador de futebol que vê sua carreira ir para o espaço ao ser obrigado a fingir que é homossexual para a mídia. O motivo? Esta seria a punição por flertar com Mirit (Gal Gadot), namorada de um mafioso (Eli Finish). Apesar de estrear no Brasil nesta quinta-feira (31/10), o filme foi lançado em 2014 em seu país de origem.

 

Dirigido por Shay Kanot, o longa é dinâmico, além de possuir uma proposta interessante ao colocar um típico homem heterossexual para conviver com desafios e preconceitos que membros da comunidade LGBT enfrentam diariamente. Ao se assumir gay, Shushan vira alvo de perseguição e atitudes homofóbicas da parte dos torcedores, o que prejudica seu desempenho em campo e a possibilidade de ser contratado por outros times, resultando numa pausa em sua carreira. Sem a possibilidade de voltar pro esporte, o protagonista se torna porta-voz de uma ONG que luta por causas LGBT’s.

 

É evidente que o propósito do filme é mostrar a desconstrução do personagem, misturando universos muito distantes entre si na sociedade atual, como o futebol, a comunidade LGBT e a religião. Entretanto, a oportunidade de abordar temáticas tão importantes em conjunto foi perdida quase inteiramente graças a falta de sensibilidade e profundidade do roteiro, mal elaborado e recheado de personagens rasos e caricatos.

Além disso, o lado cômico do enredo se torna bastante problemático e incômodo em vários momentos devido ao excesso de piadas homofóbicas, mostrando que definitivamente faltou a perspectiva de pessoas LGBT’s na equipe do longa.

 

Outro ponto negativo é a falta de desenvolvimento da relação do casal protagonista. Ambos se apaixonam à primeira vista, mas não há qualquer razão para a evolução do sentimento além da atração física, já que ambos os personagens não dialogam sobre praticamente nenhum outro assunto além do mafioso que segue perseguindo Shushan. 

 

A personagem de Gadot (Mulher Maravilha) é outra questão ruim. Ela tem pouquíssimas falas, não se sabe nada sobre sua história -- só que namora o tal mafioso por interesses financeiros. Aparentemente, a personagem serve para enfeitar o filme. O mafioso e seu capanga também são péssimos e parecem vilões de um pastelão de sessão da tarde.

 

No fim das contas, Amor em Jogo tem boas intenções, mas falha na execução ao desperdiçar as chances de retratar de forma mais realista e substancial a homofobia no esporte e na religião, especialmente em uma cidade conservadora como Jerusalém.

 

 

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