Crítica: 'Brightburn' é filme trash que cresce nos minutos finais

27/05/2019

O primeiro filme de James Gunn foi o trash Seres Rastejantes, que mostrou o potencial do então estreante para pastiches divertidos. Depois, porém, a vida seguiu outra direção e o cineasta acabou caindo no colo da Disney para comandar os divertidos filmes de Guardiões da Galáxia. Mas agora, sob o cargo de produto, Gunn volta ao trash e ao underground com o interessante terror de super-herói Brightburn, que estreia nos cinemas nesta quinta, 23, com direção instável e insana de David Yarovesky (A Colmeia).

 

Sem vergonha de copiar a trajetória do Super-Homem, Brightburn conta a história de um bebê, vindo do espaço, que cai no quintal de um casal (Elizabeth Banks e David Denman) que não consegue engravidar. Como sina do destino, acabam adotando esse ser alienígena para chamarem de filho. No entanto, quando o pequeno Brandon (Jackson Dunn) cresce, as coisas começam a sair do controle. Ele, afinal, possui poderes mortais e especiais, adquirindo uma consciência de diferente perante amigos. A saída é a morte.

 

O começo do longa-metragem é errático e parece seguir por um caminho duvidoso. O desenvolvimento de Brandon é apressado, não se atém nos principais detalhes da psicologia de um garoto que se descobre alienígena, é queima etapas. Tendo apenas 90 minutos, o filme poderia ter se detido um pouco mais na autodescoberta do protagonista/antagonista para dar um pouco mais de credibilidade à narrativa, escrita por Brian Gunn e Mark Gunn -- ambos, obviamente, parentes de James. Faltou algo.

O elenco também é instável. Jackson Dunn (Shameless) não é nenhuma grande revelação juvenil. Jackson Robert Scott, que faz um personagem parecido com o de Dunn em Maligno, se sai muito melhor. Quem compensa a equação é Elizabeth Banks (Power Rangers) e David Denman (O Presente), que se entregam aos seus personagens e apresentam atuações redondinhas. Nada muito grandioso ou digno de notas futuras, mas ajuda a complementar furos técnicos que o longa-metragem vai deixando.

 

A coisa melhora -- e muito -- na meia hora final, quando esses tons de James Gunn em começo de carreira ganham mais força. O filme se assume trash de vez e passa a jogar violência pura na tela, com cenas que causam comoção. Um caco de vidro enfiado dentro de um olho, por exemplo, fica exposto na tela por alguns segundos, para desespero dos que tem estômago frágil. Além disso, Brightburn segue quase que por um caminho de paródia dos filmes de heróis. É algo que funciona em grande medida.

 

Até mesmo o design de produção segue para caminhos adversos. Ao invés de colãs brilhantes e coloridos, a roupa do protagonista é maltrapilha, pouco memorável. É algo que, no final das contas, acaba se tornando marcante dentro dessa construção geral.

 

O final, então, surpreende por algumas decisões de roteiro, por algumas cenas explícitas adotadas por Yarovesky e pela tentativa de criar uma franquia. Difícil dizer se irá vingar, de fato, mas a ideia geral é interessante. O cinema, ultimamente, está lotado de grandiosos efeitos especiais, cenas sem grandes surpresas, falta de ousadia. Um pouco disso, mesmo que num filme mediano, não faz mal. Pelo contrário: ajuda a fazer pensar fora da caixinha e, quem sabe, tomar proporções interessantes. Bom filme.

 

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