Crítica: 'Deadpool 2' diverte muito, mas falta originalidade

17/05/2018

É sempre perigoso fazer continuações de grandes filmes. Afinal, além da grana que o estúdio quer ganhar em cima de um potencial sucesso, é preciso ter uma boa ideia para reavivar algo que, provavelmente, o público gostou e aplaudiu. A Marvel, na maioria das vezes, acertou. Assim como Star Wars original e o clássico O Poderoso Chefão. Mas os  erros são ainda mais presentes. Dá pra lembrar de Jurassic Park, Tubarão e o terceiro  Homem-Aranha.

 

A Fox é instável nesse sentido. Se pensar em X-Men, o segundo dá um show em cima do primeiro -- e o terceiro nem é preciso ser citado. Os dois primeiros filmes individuais do Wolverine são péssimos, mas Logan é, praticamente, um clássico. E Deadpool acaba de entrar nesse difícil terreno: o primeiro filme é original, inovador, divertido, surpreendente. Um marco do cinema de herói. O segundo filme, logo, chega com muita responsabilidade.

 

Afinal, para conseguir superar o impacto do primeiro longa-metragem, Deadpool 2  precisa ter piadas mais bem encaixadas -- não precisa nem ser mais engraçado, mas apenas mais inteligente no roteiro --; ter um direção mais afinada com o cinema de ação, deixando gags do gênero de lado; e, claro, avançar um pouco mais na história do anti-herói. É preciso, em suma, dar algo a mais para que o público não se sinta preso na mesmice.

 

O fato é que o segundo filme de Deadpool, que chega ao Brasil nesta quinta-feira, 17, acerta apenas em partes. Então vamos com calma. Antes de tudo, o filme tem um claro avanço em termos técnicos. Ainda que os efeitos especiais estejam, estranhamente, mais pobres, as cenas de ação estão mais bem feitas e a câmera passeia de um jeito mais entusiasmante -- graças ao bom diretor David Leitch, do excelente e violento  Atômica.

O elenco também funciona: ainda que Josh Brolin não esteja em seu melhor papel -- Thanos é seu ápice recente --, ele funciona na tela e traz emoção quando precisa. Ryan Reynolds já encarnou o personagem, nem precisa de comentários. Zazie Beetz (Tempestade: Planeta em Fúria) também é um bom acréscimo. Só Julian Dennison que não vai bem. Vale ressaltar que há ótimas participações especiais -- uma é altamente inesperada.

 

Dados esses dois pontos positivos, vamos ao que é negativo ou instável. Primeiro: não há avanços significativos na história. O roteiro de Rhett Reese, Paul Wernick e do próprio Ryan Reynolds tenta adicionar camadas ao personagem principal, mas fica cambaleante. O drama, a ação e a comédia vão se intercalando de maneira pouco natural  e, no final, pouco é acrescentado à trama como todo, deixando a tal sensação de mesmice.

 

Já no campo das piadas, há uma divisão de reações. Afinal, ela são engraçadas -- alguns casos, aliás, MUITO engraçadas. É fácil gargalhar com as nuances de Deadpool e de alguns coadjuvantes -- pena que Brianna Hildebrand, aliás, tenha sido deixada tão de lado com sua Míssil Adolescente Megassônico. As referências encaixam e algumas piadas tem um timing excelente, fazendo com que o cinema vá abaixo de tanto rir e se entusiasmar.

 

Mas, ainda assim, é impossível não perceber -- sendo um pouco chato, aliás -- que essas mesmas piadas não são novas. Grande parte delas já foi vista no primeiro filme. Uma piada envolvendo regeneração de corpos, por exemplo, é totalmente reciclada. Algumas com a senhora cega ou com o Colossus também. Há pouca inventividade. Todo o sopro de originalidade visto em Deadpool fica escondido debaixo de todo entusiasmo com o filme.

 

Não há dúvidas de que o público vai gostar, se entusiasmar, se divertir. Afinal, o filme é bom. Eu gostei muito. Mas não dá pra deixar de sentir uma pontada de preocupação: a maioria das trilogias do cinema, se for ver, inova no primeiro, acerta grandiosamente no segundo e, infelizmente, acaba se enforcando com a ansiedade e a pressa no terceiro. A torcida aqui, então, é para que Deadpool encontre de volta o caminho original que o pôs na "série A" dos filmes de heróis.

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