Crítica: 'Desafio de um Campeão' é filme óbvio, mas simpático

14/10/2019

Christian Ferro (Andrea Carpenzano) é um jogador italiano de futebol conhecido mundialmente. No entanto, por trás do talento e da fama, esconde-se um rapaz cheio de marra, ignorância e arrogância -- aliás, lembra muito um personagem futebolístico brasileiro em atividade. Mas é depois de se envolver em mais um confusão que o jogador é posto na parede pelo presidente de seu clube. Ou dá um jeito ou cai fora dali.

 

É aí que entra a figura do professor Valerio Fioretti (Stefano Accorsi), um homem solitário, que nem sabia o nome do novo aluno, que precisará colocar juízo na cabeça do jogador de futebol. Ao mesmo tempo, claro, que passa um pouco de disciplina.

 

Esta é a trama de Desafio de um Campeão, dramédia italiana que trabalha com clichês e lugares-comuns para mostrar o poder transformador da educação. Romance, intrigas, dores, sofrimentos, emoções. Tudo isso aparece misturado neste filme dirigido e roteirizado por Leonardo D'Agostini, que faz sua estreia em longas depois de uma boa carreira na televisão italiana. No entanto, tudo é certinho demais, óbvio demais.

A transformação do personagem principal, por exemplo, segue uma trama que dá pra ser sacada desde a primeira cena -- pro mais que Carpenzano (Garotos Choram) surpreenda na construção emocional de seu jogador de futebol. Poucas coisas saem do óbvio e surpreendem. Até os ângulos da câmera, pouco atrativos, podem ser sacados antes do corte de edição. Sem dúvidas, um filme pouco memorável e seguro demais.

 

No entanto, deixando esses clichês de lado, o filme pode ser considerado "simpático". É daquelas sessões da tarde convencionais, que não tardam em trazer transformações e superações, mas que podem emocionar e fazer algumas pessoas se identificarem. Não dá pra dizer que é um filme "pra chorar", mas talvez faça os mais sensíveis se emocionarem pra valer. A trilha sonora e as atuações trabalham bem nesse sentido.

 

Além disso, de novo, é preciso ressaltar o trabalho de Carpenzano e de Accorsi (Um Amor Quase Perfeito), que se entregam aos seus personagens além do que é necessário num filme como esse. Transitam entre emoções, situações. E convencem nos papeis.

 

Desafio de um Campeão, assim, é um filme bonitinho, simpático e nada memorável. As decisões óbvias do diretor Leonardo D'Agostini acabam colocando o longa-metragem num terreno perigoso, em que faz o filme ser esquecido poucos minutos depois dos créditos subirem. Pode ser uma boa diversão sem pretensão num fim de tarde ou num fim de semana qualquer. Mais é mais um na infinidade de filmes medianos de 2019.

 

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