Crítica: 'Do Jeito que Elas Querem' usa clichês para empoderar terceira idade

18/06/2018

Existe um certo prazer em ver filmes que, apesar de clichês, são capazes de trazer um alívio cômico, ao mesmo tempo em que tratam de um tema extremamente importante. E Book’s Club, que teve a infeliz tradução para Do Jeito Que Elas Querem, é um exemplo perfeito disso.

 

O longa-metragem, que conta com a direção do estreante Bill Holderman, retrata a duradoura amizade de quatro amigas muito bem sucedidas na vida, que mensalmente se reúnem para discutir um livro e beber vinho. As atrizes selecionadas para compor esse quarteto são de se admirar: Diane Keaton (Alguém Tem Que Ceder), Jane Fonda (A Sogra), Candice Bergen (Miss Simpatia) e Mary Steenburgen (Última Viagem a Vegas). Nem uma trama fraca consegue tirar o brilho destas mulheres.

 

Quando Vivian (Fonda) resolve dar outro rumo ao clube do livro e se afastar de obras intelectuais, todas ficam incomodadas; afinal, a proposta é que todas leiam Cinquenta Tons de Cinza, de E.L. James. Mesmo sendo uma literatura medíocre, e o filme tem pleno reconhecimento disso, é o que garante que àquelas mulheres comecem a enxergar sua própria sexualidade com outros olhos. Talvez se o grupo de amigas fosse composto por mulheres mais novas, entre 20 e 30 anos, o filme não teria sua devida importância. É bonita, e bem humorada, a forma como elas percebem a relação entre sexo e terceira idade.

Do Jeito Que Elas Querem se prende muito aos estereótipos. Vivian é a solteirona que constantemente tem casos de uma noite com diferentes homens, mas nunca se envolveu completamente com um; Diane (Keaton) é uma mãe que, ao perder o marido, se encontra tentando ser controlada por suas filhas já adultas, que a tratam como se fosse de vidro; Sharon (Candice) é uma juíza de respeito que nunca superou o divórcio e não tem relações sexuais desde então; por fim, Carol (Steenburgen) é uma mulher que parece ter o relacionamento ideal com o marido, até perceber que os dois não transam desde que ele se aposentou. Não é preciso de muita criatividade para desvendar como as coisas se desenrolam.  

 

O tom humorístico do filme parece tirar um pouco do empoderamento que ele representa. Book’s Club retrata a terceira idade como um momento em que também se pode errar, tentar coisas novas e se aventurar. A ideia de velhice ser associada à sabedoria não exclui nenhuma dessas possibilidades, e a amizade entre elas é um componente extremamente fortalecedor nesse sentido. Por se conheceram há mais de 40 anos, elas sabem umas das outras e estão prontas para oferecer um ombro amigo ou um tapa na cara (literalmente) sempre que houver a necessidade.

 

Falar de sexo na terceira idade ainda é um tabu, e qualquer obra que se comprometa e desafiá-lo deve ser reconhecida. Book’s Club peca em inúmeros momentos, seja por uma trama extremamente previsível ou por piadas completamente desnecessárias; mas é um filme sobre vitalidade, sobre quebrar paradigmas. O quarteto se complementa durante todo o filme, e a cada taça de vinho elas parecem ainda mais conectadas -- e se toma muito vinho nos 104 minutos. Do Jeito Que Elas Querem é uma comédia leve, com final e desenrolar clichês, mas que vale a pena ser assistida.

 

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