Crítica: ‘Duas de Mim’ diverte, apesar dos exageros

27/09/2017

Até que a Sorte nos Separe, O Candidato Honesto, Muita Calma Nessa Hora, Cilada.com. Foram vários os filmes de comédia que tiraram crédito da qualidade do cinema brasileiro ao longo dos anos, ainda que as bilheterias tenham inflacionado com as produções de Leandro Hassum, Bruno Mazzeo e companhia. Hoje até há um certo ceticismo por parte de qualquer filme com um pé na comédia e que tenha produção tupiniquim. E por isso tudo, confesso: fui ver Duas de Mim ressabiado. E que surpresa!

 

O filme conta a história de Suellen (Thalita Carauta, de Zorra Total), cozinheira que trabalha duro para manter sozinha o filho pequeno, a irmã mais nova e a mãe. Um dia, os seus sonhos viram realidade: ela se divide em duas. Sua cópia, idêntica fisicamente, tem diferenças de personalidade, sendo muito mais extrovertida e corajosa. A ideia seria dividir as tarefas com a comparsa, mas logo Suellen percebe que a sósia tem planos próprios, e decide passar a perna na original.

 

A ideia, obviamente, não é original. O tema já foi tratado em produções estrangeiros, como no mediano Eu, Minha Mulher e Minhas Cópias, com Michael Keaton; e até em produções nacionais, como no recente e divertido Um Homem Só, com o novo astro Vladimir Brichta. Assim, a diretora Cininha de Paula, que faz sua estreia na direção de longas-metragem, faz o inesperado: insere, neste história já absurda, elementos surreais que a tornam mais leve e divertida.

Por exemplo: o cantor Latino, dono de “clássicos” como Festa no Apê e Renata, é um dos atores principais. Pois é. Ele interpreta Chicão, um ajudante de cozinha e amigo de Suellen que, nas horas vagas, é cover do cantor Latino. Sim, não me confundi: o Latino é cover do próprio Latino. Há também algumas sequências envolvendo uma anã que parecem ter saído de uma pegadinha do Silvio Santos. E se prepare para o desfecho de uma réplica do MasterChef no filme. É bizarro.

 

O elenco também está afinado. Afinal, Cininha de Paula (que dirigiu Toma Lá Dá Cá e até Sítio do Pica-pau Amarelo) tem uma mão ótima pra comédia e sabe dirigir atores muito bem. Thalita Carauta, que também faz sua estreia no protagonismo de filmes, consegue separar bem os dois perfis de personagem. É um trabalho surpreendente. Letícia Lima (ex-Porta dos Fundos), Latino, Márcio Garcia e Maria Gladys são funcionais e cumprem bem os seus parcos papéis. Só Alessandra Maestrini está fora de tom.

 

No final, todos esses elementos juntos causam uma boa surpresa no espectador. Com um elenco que parece estar se divertindo muito em cena, o longa-metragem faz com que o público desligue o cabeça de maneira automática e compre a história do filme. No meio da história, peguei-me gargalhando em alto e bom som com situações absurdas que se desenrolavam na tela. E afinal, não é isso que um filme de comédia deve fazer? Não é essa sua função?

 

Além disso, há, de certo modo, algumas mensagens durante a história -- como apontado por parte do elenco na coletiva de imprensa, há até mesmo certo sentimento feminista e de sororidade dentro do contexto narrativo da trama. Assim, não é apenas mais um filme vazio de significado. É um filme divertido e que tem um significado nas entrelinhas, impedindo que fique mais carregado de mensagens do que de humor -- como aconteceu no péssimo Ninguém Entra, Ninguém Sai.

 

No final, fica a diversão. Obviamente, se pensar em aspectos técnicos, falhas de roteiro ou coisas do gênero, você vai sair o cinema com mau humor. Mas tente desligar o cérebro por uns instantes, pegar um balde de pipoca e tomar um refrigerante para dar umas boas e sinceras gargalhadas. Faz bem! E afinal, este filme nunca almejou ganhar um Oscar ou ser um destaque histórico do cinema. É uma produção para passar um bom tempo no cinema. E isso Duas de Mim faz muito bem.

BOM

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