Crítica: 'Em 97 Era Assim' é nostalgia desleixada e sem graça

13/06/2018

Zeca Brito acabou de emocionar -- e surpreender -- com o maravilhoso documentário A Vida Extra-ordinária de Tarso de Castro, que ganhou cotação máxima aqui no Esquina. Foi com entusiasmo, então, que fomos conferir Em 97 Era Assim, empreitada ficcional de Zeca e que ainda conta com roteiro de Leo Garcia, co-diretor do filme sobre a vida de Tarso de Castro. Mas que decepção: nostalgia enlatada, o filme transborda desleixo e erros.

 

A trama circula ao redor de quatro garotos de 15 anos. Nessa altura, o quarteto só pensa em perder a virgindade e avançar para a vida adulta. Eles se animam ainda mais, então, quando um deles descobre uma "sauna" no centro da cidade que permite a entrada de menores de idade e conta com "meninas universitárias" em seu casting. Para entrarem lá, então, eles precisarão reunir coragem e, principalmente, R$ 100 pra pagar o serviço.

 

E é isso. Simplesmente, não há nada além na trama de Em 97 Era Assim. Não há complicações, não há subtramas, não há desenvolvimento de personagens. Tudo gira em torno da virgindade do quarteto, os serviços que precisam ser realizados para cobrir os gastos e alguns elances amorosos entre os rapazes e algumas garotas do colégio. É um filme parado no tempo e que não consegue justificar os seus 90 minutos de projeção. 

Mas pra passar o tempo, Zeca Brito enfiou nostalgia goela abaixo da audiência. Ainda que os primeiros cinco minutos sejam divertidos, com os garotos mostrando diversas táticas old school de consumir pornografia -- como as trocas de fitas nas locadoras e a espera interminável para carregar uma foto --, só esse período inicial causa qualquer tipo de interesse. O resto do sentimento nostálgico surge de citações sem sentido e sem contexto.

 

Além disso, a trajetória dos personagens é pífia. Ao contrário de outros filmes nacionais adolescentes, como As Melhores Coisas do Mundo e Confissões de Adolescente, não há nenhum aprofundamento de seus protagonista, trazendo discussões interessantes e atuais. Pelo contrário: as tentativas de qualquer aprofundamento em Em 97 Era Assim são pífias e morrem na praia. Nada vai além, nada interessa, nada chama a atenção.

 

Ao final, fica a sensação que Em 97 Era Assim é um filme que tenta surfar na onda de nostalgia, mas falha terrivelmente. Ainda que seja divertido em alguns momentos, as piadas machistas se sobressaem e a artificialidade de toda a situação deixa o filme desconfortável, pouco interessante e, de fato, decepcionante. E o jeito é torcer para que Zeca não seja cineasta de um filme só. 

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