Crítica: 'Greta' emociona com atuação de Nanini, mas falta força

08/10/2019

O enfermeiro Pedro (Marco Nanini) vive um momento difícil de sua vida. Sua melhor amiga Daniela (Denise Weinberg) está à beira da morte e a solidão começa a se fazer presente em sua vida. É aí, entre conversas com a amiga e idas ao hospital, que ele acaba se envolvendo com Jean (Demick Lopes), um homem suspeito de ter matado o atual marido de sua ex-esposa. É o início de uma relação turbulenta e complicada.

 

Esta é a trama de Greta, primeiro longa-metragem do diretor cearense Armando Praça. Sensível e delicado, o filme é uma adaptação melodramática -- e muito mais interessante -- da peça Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá. Não há nuances de comédia na vida de Pedro. Há uma história contada sob o ponto de vista desse homem, que vive invisível por aí, que sonha em ser Greta Garbo. O que há de graça nisso, afinal?

 

É uma abordagem acertada e inteligente. Ainda mais com a entrega de Marco Nanini (o Lineu, de A Grande Família), que faz uma revolução com a imagem que foi criada ao redor de sua figura na televisão. Nem sombra, aqui, do funcionário público certinho do seriado clássico. Ele é um homem que explora sua sexualidade e reflete, com certa dor, sobre o avanço da idade. As rugas emolduram as emoções que tomam conta de Pedro.

Chama a atenção, também, a originalidade de Armando Praça em trazer um homem, já idoso, para mostrar os desafios que persistem ao redor da homossexualidade. Isso quebra uma série de tabus e clichês ao redor do tema -- que, geralmente, é retratado a partir de homens jovens e no auge da beleza. É interessante ver, também, a inflexão desses desafios e como são encarados os dilemas naturais da sexualidade na 3ª idade.

 

Além disso, vale destacar, Praça é muito inteligente na construção estética de Greta. Inspirado nos filmes estrelados pela atriz sueca, há uma câmera naturalista, estática.

 

No entanto, é preciso destacar que algumas pequenas coisas não funcionam e, no final, acabam criando entraves para o desenvolvimento do filme. Muitas, muitas sequências são longas demais. É interessante como Praça deixa algumas coisas fluírem, mas acabam por interferir no andamento da história. Quebra o ritmo e, algumas coisas que estavam chamando a atenção, são brutalmente interrompidas por essa morosidade.

 

Também falta desenvolvimento nos personagens secundários. Por mais que Daniela e Jean tenham sua importância na trama, fica a sensação que Pedro -- e, logo, Nanini -- carrega Greta nas costas. Isso sem falar de uma cena de sexo explícita que nada tem a acrescentar na trama. Pareceu Divino Amor, um dos filmes mais desnecessários do ano.

 

Greta, apesar dessa letargia em avançar a trama, acerta com um personagem único, uma atuação memorável e uma história que precisava ser contada. É bonito ver a sexualidade na terceira idade, assim como os dilemas que esse período da vida carrega. Emociona, empolga em alguns momentos. E chama a atenção para o trabalho de Praça. E claro: é preciso prestar mais atenção em Nanini. Que grande ator o Brasil tem.

 

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