Crítica: 'Hellboy' peca pelo excesso de violência para compensar roteiro superficial

16/05/2019

Para aqueles que esperavam uma continuação dos antigos Hellboy, podem abandonar essa expectativa. O reboot não tem relação com os dois primeiros longa-metragens do famoso anti-herói lançados em 2004 e 2008, a começar pela direção, que já não é mais responsabilidade de Guillermo Del Toro. A nova voz por trás da trama é de Neil Marshall, conhecido por trabalhar com filmes de terror como Abismo do Medo e Dog Soldiers, além de ter sido indicado ao Emmy pela direção de um episódio de Game of Thrones em 2014.


Nesta nova saga, Hellboy (David Harbour) precisa lutar contra a ameaça de Nimue, a Rainha de Sangue (Milla Jovovich), uma feiticeira poderosa e imortal que deseja espalhar uma praga para aniquilar a humanidade. Durante o período medieval, a bruxa já havia sido derrotada pelo Rei Arthur, que usou a lendária espada Excalibur para esquartejá-la e esconder seus membros pelo território britânico. Séculos depois, várias criaturas malignas se dispõem a ajudá-la a retomar sua antiga missão.


O roteiro de Mike Mignola e Andrew Cosby é mal construído e introduz a história e seus novos personagens de maneira superficial e apressada. Como o filme não é uma continuação, não se sabe quase nada sobre o passado da vilã ou suas motivações para odiar os humanos. A amizade entre o Hellboy e a vidente Alice Monaghan (Sasha Lane) também poderia ser melhor aproveitada, já que não há grandes explicações para o evidente vínculo entre ambos. Além disso, algumas sequências do longa não acrescentam em nada para a narrativa, como a que o protagonista visita a bruxa Baba Yaga (porém é preciso ressaltar a ótima e assustadora caracterização da personagem).

Para compensar a história boba, aparentemente, o diretor apela para cenas de violência brutal e explícita do começo ao fim e para uma trilha sonora de rock intenso, popularmente associada a filmes sobre criaturas infernais. Se não fossem as incontáveis sequências de violência majoritariamente gratuitas e dispensáveis, o filme poderia se enquadrar em um clássico “pastelão” de Sessão da Tarde. Ao que tudo indica, boa parte da imaginação dos encarregados pelo reboot estava focada na criação das inúmeras formas de mutilar e matar pessoas durante o filme.


Há também várias tentativas de tornar o protagonista metade demônio mais cativante e humano. Desta vez, conhecemos um Hellboy com “daddy issues” e incompreendido, uma abordagem que seria mais eficaz se não fossem algumas cenas piegas, questões que ficam sem respostas e piadas forçadas.

 

Um ponto positivo do filme é que até é possível simpatizar com alguns personagens, como a vidente Alice e até o próprio protagonista -- infelizmente não tão carismático quanto o antigo Hellboy de Ron Perlman. Contudo, Hellboy seria muito mais interessante e divertido se tivessem investido em um desenvolvimento mais criativo e completo do enredo, ao invés de abarrotar o filme de carnificina apelativa e irrelevante.

 

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