Crítica: 'Ibiza: Tudo Pelo DJ' diverte, mas não tem história

25/05/2018

A Netflix parece ter uma estratégia muito bem traçada para seus filmes originais. Lançados toda sexta-feira, essas produções alternam entre dramas sérios, como Cargo Anone comédias mais leves e despretensiosas, como A Barraca do Beijo Dude. Ibiza: Tudo pelo DJ, lançamento da Netflix desta sexta, 25, entra no último grupo com uma trama mais adulta, mas com a mesma fórmula e problemas desses outros lançamentos.

 

Ibiza: Tudo pelo DJ tem um fiapo de narrativa, escrita por Lauryn Kahn, estreante em longas como roteirista. Harper (Gillian Jacobs) é convidada por sua chefe para participar de uma série de reuniões em Barcelona, na Espanha. Animada com a perspectiva de conhecer o país, ela acaba levando suas duas melhores amigas (Phoebe Robinson e  Vanessa Bayer) para a viagem. O resultado, claro, acaba em drogas, bebidas, sexo e festas.

 

Ressoando em filmes recentes como A Noite é Delas e o nacional Gostosas, Lindas e Sexies, o filme não se atém a amarras e consegue driblar o machismo incrustado nesse tipo de produção -- predominantemente com personagens masculinos. Assim como em Dude, alguns clichês são revertidos e não há medo em colocar as personagens em situações pouco usuais. É algo natural, fluído e que contribui para a democratização do subgênero.

O tom dado pelo diretor Alex Richanbach -- também estreante em longas -- até que se firma bem dentro da proposta. Ele consegue trazer algumas situações engraçadas, dando um ar divertido e necessário à trama. A ambientação também funciona, assim como a boa trilha sonora, que trafega entre Frank Sinatra, passando por David Bowie e indo até Pablo Vittar.

 

Todos esses elementos, porém, não conseguem segurar a falta de história. Não há quase nada de interessante entre o primeiro ato -- quando Harper conhece um DJ, que dá título ao longa -- e a sua conclusão. Apenas sequências longas de festas, festas e mais festas. Isso, ainda que funciona num primeiro momento, acaba se tornando muito desinteressante ao resultado final. Fica a sensação de que não há o que contar em tanto tempo.

 

Além disso, há incoerências narrativas -- como a viagem permitir uma ida à Ibiza sem problemas ou, ainda, uma tarde tranquila na praia. Há personagens que entram para não fazer diferença alguma, como um grupo de jogadores de futebol e um punhado de espanhóis extremamente estereotipados. São várias coisas tentando alongar o tempo de tela.

 

O elenco até que é operante, mas se perde em criações rasas de seus personagens.  Gillian Jacobs (da série Love) começa muito bem, como uma protagonista desses filmes deve ser, mas se perde numa interpretação histriônica e exagerada. Não funciona.  Vanessa Bayer (O Rei da Polca) é a mais engraçada, mas acaba subaproveitada pelo roteiro. Phoebe Robinson (I Love Dick) é a mais apagada de todas. Não tem um único bom momento.

 

Ao final, fica a sensação de que Ibiza: Tudo Pelo DJ é divertido, traz uma boa e nova visão aos filmes de viagem entre amigos e conta com uma boa ambientação -- o que já é alguns pontos à frente de A Barraca do Beijo. Ainda assim, porém, os estereótipos, os personagens vazios e as sequências de festas que se repetem sem parar tornam o filme vazio e sem conteúdo. Fica a sensação de que 90 minutos poderiam ser transformados em apenas 20.

 

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