Crítica: 'It: Capítulo 2' é a maior decepção do cinema em 2019

03/09/2019

Quando It: A Coisa chegou aos cinemas, lá em 2017, foi uma surpresa geral. Afinal, muitas pessoas tinham um pé atrás com adaptações de Stephen King e, por particularidades na história do palhaço Pennywise, acharam que o livro não seria bem contado nas telonas. Mas nada disso. Foi um filmaço, que soube misturar horror e comédia, levando milhões às salas de cinema. Por isso, já é possível dizer que It: Capítulo 2, a continuação, é a maior decepção de 2019. O filme erra em quase tudo.

 

Por mais que Andy Muschietti (Mama) volte ao posto de diretor, parece que esta sequência foi comandada por alguém totalmente diferente. Os problemas surgem por todos os lados, e de todas as maneiras. Não há nenhum sinal de originalidade, nada de interessante nos seus mais de 160 minutos de duração (!). Assim, resolvemos fazer essa crítica de um jeito diferente. Ao invés do tradicional texto corrido, apontamos os três pilares que causaram a catástrofe. Fica mais organizado e fácil de entender. Vamos lá:

 

1. A história é chata e repetitiva

 

Rapidamente, fica evidente que que Andy Muschietti e sua irmã, a produtora Bárbara Muschietti, ficaram animados com o sucesso do primeiro filme. Este segundo capítulo não conseguiu se desgrudar do longa-metragem original. Tramas ficam voltando o tempo todo e há uma repetição exagerada de fatos, acontecimentos e personagens.

 

Além disso, toda a história é baseada numa espécie de magia indígena que só não é mais chata que essa repetição de histórias do primeiro filme. Parece que as coisas não deslancham. Tudo fica ou voltando no tempo, ou tentando emplacar essa história sem muito sentido. A sensação é que Capítulo 2 não soube ser um filme novo. É do passado.

2. A duração é completamente exagerada

 

Parece que virou moda os filmes terem mais de 3h. Enquanto antigamente isso era algo restrito aos épicos (Senhor dos AnéisOs Dez Mandamentos), agora qualquer coisa passa ou chega perto dos 180 minutos. É o caso de It: Capítulo 2, que tem assombrosos 169 minutos de duração. Não teria problema, porém, se fosse uma duração justificada, como em Vingadores: Ultimato. Não é. O longa-metragem do palhaço Pennywise tem arestas, arcos indefinidos e personagens que sobram na trama, e sem sentido algum.

 

O cansaço, lá pelas duas horas de filme, começa a bater na audiência. Na cabine de imprensa, foi o momento que começou uma agitação na sala. As reações eram mais contidas, mais pessoas iam ao banheiro ou saíam para atender ao celular. O editor Jason Ballantine (de It, a Coisa) poderia ter reduzido, facilmente, 40 minutos desse tempo final. Repito: facilmente. Com um pequeno esforço ali, até uma hora a menos. É um erro dantesco. Não dá pra passar ou concordar. Fica evidente pro público todo.

 

3. Atores não entraram no papel

 

Com exceção de Bill Hader (Barry) e James Ransone (The Wire), o elenco não convence ou não tem espaço o suficiente. James McAvoy (Fragmentado) até entende o personagem de Bill, mas acaba ficando muito apagado. Jessica Chastain (Fênix Negra) possui apenas traços de tramas que envolvem sua personagem, mas nunca vai além.  Isaiah Mustafa (Paixão Mortal) e Jay Ryan (da série A Bela e a Fera) estão péssimos.

 

Além disso, infelizmente, o excelente Bill Skarsgård (Hemlock Grove) é absolutamente desperdiçado como o palhaço Pennywise. Apenas uma ou outra cena salvam. Não há nada grandioso como a cena na casa amaldiçoada do primeiro filme. Ele é relegado aos fracos jumpscares e alguns sustos bobos. Além de violências sem muito motivo de fato.

 

Isso, de novo, é um problema que se volta ao ponto 1. O roteirista Gary Dauberman (A Freira) não soube lidar com exigências de diretor, roteiristas e, talvez, até Stephen King. Fez uma salada que não favoreceu ninguém -- nem elenco, nem diretor, nem público, nem personagens. É uma bagunça e que poucos conseguem se sobressair nisso tudo.

 

Assim, portanto, concluindo...

 

It: Capítulo 2 é um filme muito, muito decepcionante. É uma bagunça entusiasmada com o sucesso do primeiro longa-metragem, que soube desgrudar do que é feito por aí e surpreender por méritos próprios. Há pontos bons (como Bill Hader, Bill Skarsgård e a trilha sonora), mas para por aí. Toda vitalidade de It: A Coisa parece ter sumido, do nada.

 

O fato é que foi um filme feito às pressas, sem pensar muito. Devia ter sido mais maturado. O elenco infantil devia ter ficado de lado ou servido apenas aos flashbacks aqui e ali -- não com uma trama paralela, como foi feito. Uma pena. O melhor é desconsiderar esse filme e lembrar só do primeiro. Assim some a decepção.

 

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