Crítica: 'Limites', apesar de descartável, é uma boa opção

14/09/2018

As famosas roadtrips, termo chique para viagens de carro, parecem ser uma temática muito fácil de ser aplicada no cinema; afinal, dificilmente será um grande filme, mas também tem grandes chances de não resultar num fracasso total. Prova disso é o recente Ella & John que, apesar de uma história extremamente improvável, consegue ser gostoso de assistir. O mais novo filme da diretora Shana Feste, Limites, segue esse mesmo padrão.

 

Ainda que pouco experiente no ramo, Feste fez questão de garantir um elenco bastante forte para sua nova dramédia, contando com Vera Farmiga (Bates Motel e Invocação do Mal),  Christopher Plummer (Todo o Dinheiro do Mundo e Uma Mente Brilhante), e até mesmo uma pequena participação de Christopher Lloyd, o eterno Doc, de De Volta para o Futuro. Apesar de uma história fraca, os atores dão muita sustentação ao filme.

 

O filme começa com uma cena de Laura (Farmiga) durante uma sessão de terapia. Ao falar do pai, a psicóloga diz que é preciso estabelecer limites e não ter contato mais com ele, pois foi quem a abandonou. Seu pai, Jack Jaconi (Plummer), insiste em ligar para ela. No entanto, as ligações têm um motivo: ele foi expulso de um centro de idosos por traficar maconha. Laura decide ir buscá-lo e levá-lo, junto com seu filho Henry, até a Califórnia, em direção à casa da irmã. O intuito da viagem, além de chegar ao destino, obviamente, é tentar fortalecer o laço, que nunca existiu, entre pai e filha.

Todos os personagens de Limites são bastante excêntricos e bem caracterizados. Laura é uma mulher solteira que resgata qualquer animal de rua, e, por isso, vive com quase 10 cachorros e gatos em casa. Henry é um adolescente desajustado que constantemente é chamado pela diretora da escola por ter o costume de desenhar pessoas peladas. Jack, como já dito, é um senhor de idade que anda com quilos da droga por onde vai. A dinâmica familiar é estranhamente cômica.

 

Assim como outros do gênero, o filme de Feste é dotado de uma improbabilidade fora do normal. Exemplo disso é o fato de Jack convencer o neto de ser seu parceiro de tráfico. É conveniente com a história, mas mal precisa mencionar sobre quão inverossímil é. Junte isso ao fato de que a viagem de dias é feita com dois cachorros de rua que eles encontram no caminho.

 

Limites deve ter seu mérito reconhecido por retratar uma família disfuncional, assunto que deve ser pauta cada vez mais. Constantemente questiona o filho sobre a falta de uma figura masculina, mas deixa claro que a ausência de um pai não deveria prejudicá-lo. Qualquer história que se proponha a ir contra ao pensamento de normalidade, deve ser apreciado.

 

De fato, Limites tem pouquíssima história e é um filme facilmente descartável, afinal, não é o tipo de drama que provoca grandes reflexões. Mesmo assim, conta com algumas boas piadas e é leve de assistir. São 104 minutos que passam rápido e, definitivamente, não serão uma perda de tempo.

 

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