Crítica: ‘Loucos e Perigosos’ é nova bomba de Bruce Willis

12/08/2017

Logo numa das primeiras cenas de Loucos e Perigosos, Bruce Willis foge, totalmente nu e em cima de um skate, de um grupo de mafiosos samoanos. É uma cena estranha, um tanto quanto sem nexo, mas que causa um pequeno riso no final. E nada além dos sentimentos oriundos desta cena poderia resumir melhor o que este longa transmite. Deslocado e sem um grande propósito, Loucos e Perigosos é um dos filmes mais genéricos desta temporada de lançamentos.

 

A trama parece eco de outros filmes. Ela acompanha Steve (Willis), um detetive fracassado e que se envolve em pequenas confusões para tentar acertar a sua vida. No meio disso, no entanto, ele acaba criando confusão com um grupo de criminosos -- liderado por Spyder (Jason Momoa) -- que sequestram o cachorro do detetive. A partir daí, ao melhor estilo de John Wick, ele fará de tudo para tentar recuperar seu cachorro são e salvo, enquanto tenta resolver outros mistérios da cidade.

 

Bruce Willis, obviamente, sabe que o filme é terrível. Não à toa, sua atuação está totalmente no automático, sem emoção. É apenas uma sombra do que é visto em filmes como Sexto Sentido ou, até mesmo, Duro de Matar. Não há emoção e ele nem se diverte com o que rola em cena. John Goodman, que faz um amigo de Steve, também tem consciência da furada em que se meteu, mas faz bem seu trabalho, ainda que sem brilho. O único que se esforça é Momoa. Coitado.

 

Enquanto isso, os irmãos Mark e Robb Cullen tentam criar uma história de erros, como se fossem os irmãos Coen. Mas não dá certo. Veja bem: quando os Coen criam as tramas de seus filmes, eles sempre prezam em fazer uma intrincada história que desencadeia todos os acontecimentos. Uma coisa dá errada e, no final, é criado um efeito dominó. Aqui, eles tentam repetir a fórmula, mas sem sucesso. É tudo muito genérico e o roteiro parece uma história de Sessão da Tarde.

 

No final, fica a dúvida sobre o motivo daquele filme existir -- e, principalmente, o motivo de um elenco de peso ter aceitado fazer parte desta bomba. Não há empatia com o público, não há humor, não há ação. É apenas um amontoado de cenas que parecem ter saído do nada para preencher um espaço de tempo. Só não é pior que isto por conta da cena que comentei no começo do texto. Afinal, quando você ia imaginar que ia assistir Bruce Willis, pelado, fugindo de skate de um grupo de samoanos?

 

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