Crítica: 'Mais Uma Chance' é maduro e emocional filme da Netflix

05/10/2018

Filmes sobre maternidade e paternidade são uma constante no cinema mundial. Seja em animações (Procurando NemoPinóquio), comédias (Presente de Grego, Mamãe Operação Balada) e, é claro, dramas profundos e emocionantes (Uma Lição de AmorCapitão Fantástico e Corações Famintos). No entanto, difícil encontrar algum filme que trate de um tema muito real, atual e necessário: a dificuldade da gravidez.

 

Em Mais Uma Chance, filme original da Netflix, conta-se a história do produtor teatral Richard (Paul Giamatti) e  da escritora Rachel (Kathryn Hahn), um casal de meia-idade que tenta ter um filho. O drama é grande já que tentativas de barriga de aluguel e adoção já foram frustradas, e agora a saída é tentar fertilização in vitro. Só que as sucessivas tentativas, caras e dolorosas, acabam minando a alegria cotidiana dos dois.

 

A condução da diretora Tamara Jenkins repete particularidades de seu outro bom longa-metragem, A Família Savage. Sem interferir na história, a cineasta mostra o dia a dia do casal de maneira fria, direta e extremamente realista. Parece que uma câmera escondida conseguiu registrar as tentativas frustradas do casal em ter um filho. Ainda que longo demais, o filme não exagera no tom da história e na forma que é contada.

O roteiro, da própria Jenkins, eleva essa percepção de naturalidade com diálogos enxutos, que não se perdem em devaneios desnecessários. Só há um ou outro momento de emoção que poderia ter sido mais breve e menos melodramático, mas não interfere.

 

Outro ponto que merece destaque é a atuação dos dois protagonistas. Paul Giamatti (12 Anos de Escravidão) se mostra, novamente, como um dos mais interessantes e versáteis atores de sua geração. Seguindo o roteiro de Jenkins, o ator mescla momentos de humor e drama sem perder o tom da interpretação. E Kathryn Hahn (Sete Dias Sem Fim) entrega a melhor atuação de sua carreira, interpretando sem estereótipos. E olha que o caminho mais simples se avizinhava a todo o momento.

 

Sem dúvidas, Mais Uma Chance é o filme mais maduro, emocional e interessante da Netflix desde o fortíssimo 6 Balões e o bom Os Meyerowitz. Afinal, nos últimos tempos, o serviço de streaming tem apresentado uma série de produções sem afinco com a qualidade e que servem apenas para fazer volume no catálogo. São raros os exemplos de produções que, de fato, merecem a atenção. Mais Uma Chance é uma delas. Como o próprio título do longa-metragem diz, vale a pena dar uma chance de novo pra Netflix.

 

Em resumo, Tamara Jenkins volta se mostrar como uma ótima diretora sobre o sofrimento familiar, os conflitos entre parentes e as situações delicadas que só ocorrem entre quatro paredes. É bonito de ver um cinema assim, intimista, maduro. É o que as pessoas precisam ver e ouvir. E o que é o cinema senão um espaço para que cada um se divirta, se sinta representado e reflita sobre a vida? Mais Uma Chance é cinema como deve ser.

 

 

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