Crítica: 'Malévola: Dona do Mal' traz espetáculo visual com dose de clichês

16/10/2019

Lançado em 2014, Malévola foi um dos primeiros filmes a abrir a porteira de produções live-action da Disney. Acabou tendo uma recepção morna, assim como seus contemporâneos Alice no País das Maravilhas Cinderela, mas conseguiu garantir uma continuação por conta da boa bilheteria. E ela chega nesta quinta, 17, com o título de  Malévola: Dona do Mal. Um filme mais visual e impactante, mas com mesmos clichês.

 

Na trama, após aceitar se casar com o Príncipe Phillip (Harris Dickinson), Aurora (Elle Fanning) é imediatamente acolhida pela rainha, sua futura sogra (Michelle Pfeiffer), como se fosse sua própria filha. Revoltada, Malévola (Angelina Jolie) se opõe ao reino e reúne novos aliados para proteger as terras mágicas que compartilham, percebendo que essa aliança pode esconder um segredo prejudicial para todos os envolvidos.

 

Dirigido pelo norueguês Joachim Rønning (do competente Expedição Kon Tiki e do fraco Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar), o longa-metragem logo de cara mostra que está mais grandioso. Os efeitos visuais estão espalhados em todos seus 118 minutos e ajudam a criar a grande variedade de criaturas mágicas que passam a compor essa linda ambientação. É um universo que cativa e faz os olhos brilharem.

Para Rønning, parece que o fraco episódio de Piratas do Caribe serviu para ele entender melhor o funcionamento de efeitos digitais. Ele sabe orquestrar tudo na tela e criar espetáculos. Uma batalha entre várias criaturas chama a atenção pela beleza estética e pelo cuidado com que tudo é embalado para causar o maior impacto possível na tela.

 

No entanto, o roteiro de Micah Fitzerman-Blue (A Vida em Motéis), Noah Harpster (da série Transparent) e Linda Woolverton (O Rei Leão) acaba por cair em obviedades que não ajudam ninguém. Frases de efeito, diálogos cafonas e um didatismo que não serve para nada são ingredientes dessa quebra de ritmo pouco interessante. A sensação é de que havia muito mais potencial imagético e de elenco do que foi usado de fato na trama.

 

Aliás, o elenco está no automático -- talvez por conta do roteiro desinteressante. Jolie (À Beira Mar) não surpreende como no primeiro filme, apesar de duas boas sequências. Fanning (Espírito Jovem) está com a mesma cara de sempre e Harris Dickinson (Ratos de Praia) está divertidinho. O único integrante do elenco que realmente se sobressai é Pfeiffer (Mãe!). Apesar do papel óbvio, ela se entregou à personagem.

 

No final, fica aquele gosto agridoce na boca. O filme é lindo visualmente e muita coisa é interessante. Mas há de se considerar as gorduras de roteiro, fazendo com que o longa se prolongue em coisas desnecessárias -- como uma subtrama envolvendo um apagado Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão). Uma trama mais enxuta poderia ter resolvido tantos problemas e faria o filme mais memorável. Ainda assim, é divertido.

 

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