Crítica: 'O Caravaggio Roubado' faz bagunça de tramas e gêneros

21/05/2019

Valeria (Micaela Ramazzotti) é secretária de um produtor de cinema, mora com a mãe e é escritora fantasma para um roteirista de sucesso. Quando ela recebe de presente de um estranho uma trama de filme com o nome de A História Sem Nome, contando a história do misterioso roubo da pintura Natività, de Caravaggio, ela se vê imersa em uma implacável conspiração que irá misturar as realidades do filme e da sua própria vida. Esta é a trama do confuso O Caravaggio Roubado, que estreia nesta quinta-feira, 23.

 

Dirigido pelo italiano Roberto Andò (Viva a LiberdadeAs Confissões), o longa-metragem começa bem, como tons de suspense histórico a la Dan Brown. O que parece, nos primeiros dos 110 minutos totais da produção, é que o filme vai seguir por esse caminho, misturando realidades e bastidores de filmes. No entanto, com pouco mais de trinta minutos de narrativa, Andò já mostra que não rompeu com sua tradicional comédia italiana. Há uma mistura pouco interessante desses dois diferentes gêneros.

 

Eles são, afinal, água e óleo. É difícil misturar ambas as situações, já que o suspense exige um clima mais árido, sombrio, enquanto o humor se faz presente de maneira mais colorida e animada. Para funcionar, Andò deveria priorizar um dos gêneros e fazer com que o outro apenas contornasse o restante da narrativa. Mas não é isso que ele faz. Há uma mistura precipitada e que acaba atrapalhando as duas histórias. O riso quebra a tensão, enquanto o suspense criado não permite que o humor deflagre finalmente.

Dessa maneira, O Caravaggio Roubado entra numa confluência confusa de tramas, gêneros, narrativas. Tudo entra em embates vigorosos e a trama, dessa maneira, acaba por morrer aos poucos de maneira desinteressante e insossa. Nada realmente funciona.

 

O elenco, pelo menos, vai bem em certos pontos -- ainda que na parte final acabe por sucumbir aos devaneios de gênero de Andò. Micaela Ramazzotti (Loucas de Alegria) é um camaleão em cena, se transformando de acordo com o humor da narrativa. E funciona. É a que se sai melhor e que, de alguma forma, eleva o tom geral do longa. Já Alessandro Gassman (O Nome do Filho), Renato Carpentieri (Caro Diário) e Jerzy Skolimowski (Senhores do Crime) sucumbem à instabilidade do filme como um todo.

 

O Caravaggio Roubado, infelizmente, é mais uma inflexão na instável carreira de Andó, que acertou com Viva a Liberdade e errou com As Confissões e, agora, com esta nova película. O conflito de gêneros e a indecisão de rumo a ser tomado contagia negativamente a direção, o elenco e até o design de produção, que não sabe se toma o caminho da escuridão ou do colorido. Poderia ter sido muito mais interessante se o diretor e se seu parceiro de roteiro, Angelo Pasquini, tivessem toma rumo definido.

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