Crítica: 'O Juízo' é filme genérico e sem vida

03/12/2019

Augusto Menezes (Felipe Camargo) é um homem atormentado que decide se mudar com a mulher Tereza (Carol Castro) e o filho, Marinho (Joaquim Torres Waddington), para uma fazenda abandonada, herdada do avô, na esperança de colocar a vida nos trilhos. A propriedade, no entanto, carrega o carma da traição ao escravo Couraça (Criolo), que busca ao longo dos séculos a vingança contra a família de Augusto.

 

Esta é a trama de O Juízo, longa-metragem nacional que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 12, e que é um típico representando de "filme família". Não pela temática, que é pesada. Mas pela realização: Fernanda Torres é a roteirista, o marido Andrucha Waddington dirige, a mãe Fernanda Montenegro abrilhante o elenco e o filho Joaquim Torres Waddington compartilha o protagonismo do longa com Camargo e Carol Castro.

 

Uma pena, então, que um filme tão representativo para a família Torres-Montenegro-Waddington seja tão genérico, tão sem vida. Com ares de O Iluminado, o longa se ancora nessa história mística para explorar o caos emocional e psicológico de Augusto. É até interessante a forma como a assombração de Couraça vai e vem, mas falta densidade. Tudo parece muito previsível, muito óbvio. A tal cobrança do escravo não toma forma.

E apesar de parte do desenrolar da história ser interessante, o final é tosco, brega, confortável. Falta ousadia e, principalmente, falta uma marca própria de O Juízo. Aquela conclusão, sem vida e redundante, pode ter vindo de qualquer filme americano. Não faz diferença alguma. Cadê a brasilidade do gênero? Cada a verdade por trás disso? Falta algo para o brasileiro se identificar e notar as nuances desse terror/suspense mineiro.

 

Felizmente, porém, parte do elenco está dentro de seus papéis. Felipe Camargo (O Rastro), Carol Castro (Um Suburbano Sortudo) e Criolo (Jonas) entram no ambiente bem criado e exploram os dramas e terrores de seus personagens -- ainda que Criolo seja melhor cantor e compositor do que ator. Fernanda Montenegro e Lima Duarte, como sempre, estão brilhantes. Só faltou uma cena potente entre os dois pra marcar.

 

Só o jovem Joaquim Torres Waddington não consegue segurar o tranco. Inexperiente demais, ele não consegue corresponder ao drama e ao terror em algumas cenas.

 

No final, fica a sensação de algo faltando. Originalidade, cenas mais marcantes, potência de roteiro e direção. Tudo é muito genérico, calcado em dramas e terrores que o público está cansado de ver. De positivo, só as atuações destacadas, o bom ambiente criado ao redor dos personagens e a tentativa de fazer mais um terror nacional. De mercante e de potente, infelizmente, quase nada foi achado. Fica longe de As Boas Maneiras e afins.

 

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