Crítica: ‘O Rei da Polca’ é divertida história sobre personagem surreal

16/01/2018

A Netflix tem uma dificuldade imensa de acertar em suas produções originais em formato de longa-metragem. Parece que toda criatividade vai para as séries e para filmes de grandes pretensões, como os ótimos Mudbound e Okja. No entanto, agora chega ao streaming um filme despretensioso, divertido e com uma história muito interessante: O Rei da Polca, novo longa-metragem com Jack Black sobre a história real de um cantor polonês que dava golpe milionários.

 

Jan Lewan (Jack Black, sensacional) é um polonês que decide arriscar a vida nos Estados Unidos. Chegando lá, encontra seu grande amor (Jenny Slate, de Big Mouth) e logo tem um filho. Para sobreviver, ele começa a fazer apresentações de polca e a gerenciar uma loja de presentes poloneses. A coisa vai se sustentando de maneira torta até que ele decide dar um passo além: criar uma pirâmide de dinheiro para enganar os velhinhos que frequentam os seus shows.

 

O resultado é incrível. As coisas começam a decolar e Jan Lewan se torna um astro dentro de sua cidade. Até o Papa entra na dança, participando inconscientemente (ou pelo menos é o que parece) de um de seus golpes. Aí, é claro, a coisa começa a declinar aos poucos e o resultado é história. O longa é dirigido pela dupla Maya Forbes e Wally Wolodarski, que muda totalmente de tom: foram do emocionante Sentimentos que Curam para esta comédia do absurdo.

Essa transição funciona com uma história coesa, apesar de absurda. Alguns momentos parecem inventados de tão irreais que são -- e que surpresa descobrir que quase tudo ali é verdade no documentário, também disponível na Netflix, The Man Who Would Be Polka King. É um conjunto de situações muito bem filmadas e que vão crescendo de importância. Vale as risadas. Pena, porém, que algumas coisas são bem mal explicadas, como a passagem do Papa. Merecia mais atenção.

 

A grande alma do filme é Jack Black -- que também é produtor. Com muitas caras e bocas, o ator americano consegue passar toda a intensidade de seu personagem apenas com gestos e olhares. O bom sotaque do leste europeu também convence e as músicas de Lewan estão muito bem realizadas. Fica claro que Black está interessado em dar uma virada na carreira e deixar o humor mais físico pra trás e se dedicar a mais trabalhos como Bernie e até Jumanji.

 

Infelizmente, porém, o final do filme se perde um pouco -- até com algumas situações que não são verdade. A conclusão é precipitada demais e tudo fica corrido. Os acontecimentos pós-filme também são pouco explorados e, assim, quem se interessar sobre a história de Lewan, precisará pesquisar um pouco mais. Percebe-se, então, que o filme optou por focar em aspectos fantásticos de Lewan e esquecer de coisas mais mundanas e reais. Falta uma aproximação com o público.

 

Ainda assim, O Rei da Polca é uma grata surpresa da Netflix. Bem atuado e com uma trama interessante, o longa chama a atenção e deixa o espectador, ao final, com uma boa história sobre um personagem surreal. Pena que sua vida não é aprofundada e que alguns pontos -- como a relação dele com o Papa -- não aparecem na tela. Mas, se já viu o filme, recomendo assistir ao documentário. Complementa a experiência e deixa tudo ainda mais surreal e divertido.

 

 

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