Crítica: 'O Relatório' é filme interessante, mas repetitivo

06/11/2019

Depois do estrondo político e social causado pelos atentados do 11 de setembro, os agentes especializados da CIA iniciaram uma força-tarefa no Estados Unidos. A ideia era utilizar táticas avançadas de interrogatório para descobrir aqueles que estavam, de alguma forma, acobertando ou planejando o atentado. Mas o que seriam essas táticas? Aos poucos, o investigador Daniel Jones (Adam Driver) descobre uma teia de tortura.

 

Dirigido por Scott Z. Burns (Pu-239 / The Half Life of Timofey Berezin), O Relatório se vale de um didatismo exagerado para contar as descobertas desse agente sobre a podridão dos porões americanos. O cineasta, então, se vale de técnicas de seu parceiro Steven Soderbergh (A Lavanderia), para deixar tudo claro e, mesmo sendo um assunto levemente espinhoso, não haver dúvidas para o espectador sobre o ocorrido.

 

E as coisas funcionam bem até certo ponto. Driver (Star Wars: Os Últimos Jedi) se mostra novamente como um dos principais atores desta geração. Consegue ser introspectivo e explosivo com uma qualidade bem próxima. Segura bem as pontas. Como coadjuvantes, uma constelação. Corey Stoll (Homem-Formiga), Jon Hamm (Mad Men), Annette Bening (Beleza Americana), Michael C. Hall (Dexter). Todos eles bem.

Além disso, vale ressaltar, há uma boa recriação das cenas de tortura. Fortes, elas deixam um impacto no ar. Difícil não sentir raiva com a situação que se desenha ali.

 

No entanto, é claro, há problemas. Primeiramente, o roteiro do próprio Burns se repete de maneira exagerada. Parece que não há desenvolvimento, de fato, na situação do relatório produzido pelo personagem de Adam Driver. Há sempre os mesmos empecilhos, as mesmas dificuldades. As coisas não avançam. E o espectador, de certa forma, acaba sentindo o impacto -- o cansaço da repetição acaba tomando conta.

 

O final, assim, acaba sendo anticlimático. Por mais que seja forte, principalmente visualmente, ele acaba arrefecendo de impacto por conta dessa repetição exagerada. Até o elenco, nos últimos instantes, parece cansado -- Adam Driver, porém, mantém a boa qualidade de sua atuação. Uma pena. Um assunto forte, intenso. Que poderia lembrar A Hora Mais Escura ou coisas do tipo. Se torna apenas mais um filme por ali.

 

(*) Filme visto durante cobertura especial da 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

 

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