Crítica: 'Rede de Abuso', na Netflix, mostra cultura do estupro nos EUA

28/08/2019

A cultura do estupro é o nome dado à estruturação e, por vezes, a banalização do crime do estupro. É quando o abuso sexual está impetrado em camadas profundas da sociedade, como ambiente de trabalho, escola e esporte. É neste último ponto que se aprofunda o documentário Rede de Abuso, disponível no catálogo brasileiro da Netflix e que conta a história de um caso de estupro de Ohio, nos Estados Unidos, em 2012.

 

Dirigido pela estreante Nancy Schwartzman, o longa-metragem se detém em cada aspecto desse crime. Vai com calma e sem grandes arroubos criativos. Tem começo, meio e fim bem delimitados e segue o velho estilo de arquivo-entrevistas. Esses dois modelos de recuperar histórias vão se alternando, como em qualquer outro documentário. Sem dúvidas, o diferencial de Rede de Abuso não está em sua técnica.

 

O grande ponto aqui, e que faz com que o filme seja distinguível, é a história em si. Schwartzman sabe contar a história e consegue se aprofundar nos mais diferentes aspectos do crime. Tudo é bem abordado, com diversas visões sobre um mesmo acontecimento. Por mais que tenha optado, acertadamente, não entrevistar os criminosos, a visão deles acaba transbordando por meio de depoimentos à polícia.

O material de apoio ao arquivo e às entrevistas também é interessante, tornando o filme didática sem cair no óbvio ou na mesmice. As coisas se complementam bem.

 

Mas é importante frisar, principalmente, o fato de que Rede de Abuso ultrapassa as barreiras de sua história. Mais do que contar um caso criminal dos Estados Unidos, o filme questiona a cultura do estupro e faz com que o espectador se choque, reflita, compreenda. Tudo é feito de maneira muito tradicional, sim. Mas o que importa, no fim das contas, é que a mensagem é passada em entrevistas, histórias e sentimentos.

 

A influência da internet e das redes sociais, por mais que sejam coisas superficiais dentro do contexto geral, também amplificam a história como um todo.

 

Rede de Abuso não é um documentário memorável por qualquer tipo de criatividade ou originalidade. Nada disso. É um filme que fica marcado pela força de sua história e por toda a mensagem que passa. É um longa-metragem documental importante, necessário e urgente em dias atuais, quando o estupro e o abuso sexual, finalmente, entram na mira das pessoas, das produções artísticas e da polícia. Que sirva de aprendizado por aí.

 

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