Crítica: 'Sefarad' é drama didático sobre judeus em Portugal

12/11/2019

Foi no século XV que os judeus, num ato extremista de D. Manuel, foram expulsos de Portugal. Dessa maneira, a religião judaica desapareceu do país europeu. Depois, 400 anos à frente, com os judeus novamente estabelecidos em Portugal, o capitão do exército Barros Basto (Rodrigo Santos), convertido ao judaísmo, comanda um grupo de 200 judeus para construir a Comunidade Judaica do Porto, no norte de Portugal.

 

Esta é a trama de Sefarad, longa-metragem dirigido por Luis Ismael e lançado no Brasil na última quinta-feira, 7. Didático, o filme se debruça sobre esse acontecimento histórico, e pouco conhecido, para mostrar a luta de um povo e como se organizou a reconstrução do judaísmo 400 anos depois de sua expulsão em solo português. É um filme, basicamente, sobre intolerância, fé, persistência e, principalmente, compromisso.

 

Claramente, desde o começo-, nota-se que Sefarad não é um filme de grandes recursos. Idealizado pela própria Comunidade Judaica do Porto, o longa-metragem possui cenários simples e figurinos que podem fazer o público se decepcionar logo de cara -- uma sequência no século XV parece extraída de uma peça escolar, em termos de qualidade cênica. Há uma clara simplicidade no que foi feito. A técnica é secundária.

E isso fica ainda mais evidente quando o diretor Luis Ismael (Balas & Bolinhos) é colocado à prova. O cineasta português não sabe sair da caixinha e cria obviedade que poderiam ser facilmente dribladas. Há uso de preto e branco em flashbacks, assim como discursos excessivamente didáticos. Não são grandes erros ou problemas, mas ao final do longa-metragem, o saldo é negativo. Fica uma certa sensação de amadorismo.

 

No entanto, há um outro ponto que coloca equilíbrio na balança: a boa história que é contada. Sefarad, de certa forma, acerta com o didatismo para deixar claro o processo histórico que se abateu sobre os judeus em Portugal e como isso se desenrolou em séculos vindouros. É uma história pouco conhecida e que, por si só, prende o espectador e faz com que o interesse não se perca com a falta de atributos técnicos no longa.

 

O protagonista Rodrigo Santos (Estrada de Palha) também possui limitações técnicas, mas não é um problema tão impactante. Ele, de certa forma, acerta o tom no didatismo e ajuda a história a ser propagada. O resto do elenco está operante. Não há grandes destaques, com exceção de alguns figurantes/coadjuvantes que são tão artificiais que até quebram a imersão no longa-metragem. Ismael poderia ter tido mais cuidado nisso.

 

Enfim: Sefarad não é um filme marcante, memorável, épico. Mas, claramente, esta não é sua intenção. O que Ismael e a Comunidade Judaica do Porto quis fazer aqui, sem rodeios, é propagar a história de sua região, religião e família. Isso, felizmente, é bem feito. Há história, há bons ensinamentos. Pena, porém, que a embalagem seja tão precária. Um pouco mais de brilho poderia ter deixado este longa mais interessante.

 

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