Crítica: 'Sem Amor' traz marcas de autoajuda, porém diverte

30/10/2018

Produzir um filme que trata de qualquer tipo de questão psicológica é uma escolha arriscada. Afinal, não apenas deve trazer veracidade ao público que o assiste, como também exige um enorme respeito àqueles que lidam com o problema de fato. Não se pode negar que existe uma liberdade criativa, mas esta deve ser utilizada de maneira cautelosa. Sem Amor trata do vício em sexo de Joy (Charlene Deguzman), responsável por acabar seu último relacionamento.

 

Lars Von Trier foi um dos mais bem sucedidos diretores à retratar a doença no cinema, em seus dois volumes de Ninfomaníaca, lançados em 2013. O que o dinamarquês tenta fazer em seu drama é completamente diferente da comédia romântica de Suzi Yonessi. Esta última atribui a ninfomania à uma espécie de vazio existencial que só pode ser preenchida com sexo, algo totalmente contrário ao que Lars Von Trier explicita em seus filmes. Comparar os dois filmes é uma experiência relativamente frustrante, já que um deles é completamente profundo e o outro uma história bonitinha sobre amizade e força de vontade.

Ainda que Sem Amor seja algo bem humorado e divertido, o roteiro retrata a questão psicológica como algo que pode ser facilmente superado, basta querer. Junto disso, traz a amizade de Joy com Jim, estrelado por John Hawkes (Três Anúncios para um Crime). Quando a personagem de Deguzman é expulsa de casa pelo então namorado, ela pede ajuda à sua tutora Maddie (Melissa Leo), quem conheceu num grupo de recuperação. Apesar da pouquíssima intimidade entre as duas, ela concede uma casa para que Joy fique. Improvável, mas o filme não parece fazer muita questão de ter credibilidade em sua história.


Diferente de Ninfomaníaca, aqui o vício em sexo nada mais é do que uma premissa para que Joy possa conhecer Jim e os dois desenvolverem uma belíssima amizade, ainda que bastante estranha. Sem Amor é uma espécie de feel good movie: não tem como objetivo aprofundar questões mais complexas, mas sim trazer momentos divertidos ao seu público. Ainda que possua grandes marcas de autoajuda, carisma dos protagonistas e as piadas são suficientes para agradar quem o assiste.

 

Filme assistido durante a cobertura da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

 

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