Crítica: 'Socorro, Virei uma Garota!' é boba comédia nacional

23/08/2019

Júlio (Victor Lamoglia) é um garoto tímido e invisível aos olhos de sua turma. Sempre zombado pelos colegas e desprezado por sua paixão, Melina (Manu Gavassi), ele conta apenas com seu melhor amigo Cabeça (Léo Bahia), o garoto mais nerd da sala. Em uma excursão para a praia, depois de ser publicamente humilhado pelo namorado de Melina, o rapaz vê no céu uma estrela cadente e faz um pedido para que dali em diante ele se transforme na pessoa mais popular da escola. Mas algo dá errado e ele acorda não como garoto, mas como a garota mais popular: a linda e descolada Júlia (Thati Lopes).

 

É em cima dessa premissa que de desenrola o bobo Socorro, Virei uma Garota!, filme nacional que chega ás salas de cinemas brasileiros nesta quinta, 22. Dirigido por Leandro Néri (de programas de TV como Caldeirão do Huck), o longa-metragem é cheio de prepotência e não chega a lugar algum. Ao longo de seus exageradíssimos 110 minutos, o filme erra em tudo que tenta. Começando pelo elenco, histriônico e exagerado; passando pela trilha sonora, cheia de banalidade e coisas óbvias; e até a tentativa de escrever sobre "ser mulher" de uma das maneiras mais idiotas possíveis.

 

Vamos começar desse último ponto. Veja bem: Socorro, Virei uma Garota! é dirigido por um homem. É roteirizado por um outro homem (Paulo Cursino, de O Candidato Honesto 2) e, veja que surpresa, é produzido por outro homem (Roberto Santucci, de Os Farofeiros). Como seria possível que eles mostrassem, com precisão, o que é ser mulher? Perdidos e com vergonha de admitir isso, os homens responsáveis pelo filme apelam para chavões complicados e que hoje, felizmente, já não são tão bem aceitos -- mulher tem privilégios sociais por causa dos seios? É mais fácil ser mulher?

Todas essas tentativas de fazer com que um homem se mostre como é no corpo de uma mulher falham terrivelmente. Seria mais fácil se fosse o processo contrário, é claro.

 

Além disso, toda a produção é de uma obviedade sem fim. As músicas são óbvias para cada momento pouco inspirado (Ana Carolina para um beijo lésbico, This Girl na hora da balada, e por aí vai). O visual dos personagens também é batido, sem nenhum traço de originalidade. E, de novo, aposta em clichês mais do que batidos na criação de cada um dos personagens. Será que Cursino não tem vontade de mudar? É sempre o mesmo!

 

E a cereja do bolo nessa torta de desastre é o elenco. Por mais que Léo Bahia (Ninguém Entra, Ninguém Sai) e Nelson Freitas (Zorra Total) estejam divertidos, o que acaba se sobressaindo é a falta de tom na atuação de Thati Lopes (do Porta dos Fundos) e de Victor Lamoglia (Tudo por um Popstar). Ambos criam um personagem que beira o ridículo, que só sabe berrar, agir de maneira imprevisível e ser um nerd bobalhão que não faz nada pra mudar isso. Thati chegar a irritar de tantos gritos no filme.

 

Dessa maneira, Socorro, Virei uma Garota! é a receita do desastre. Atores mal encaixados, falta de originalidade e uma premissa que já erra na maneira como ela é executada. Se não fosse o bom-humor de Nelson Freitas, Léo Bahia e da participação especial de Raul Gazola, seria um filme para cair logo no esquecimento. Uma mão feminina nesse time de homens ajudaria a resolver o problema inicial. De resto, só trocando de diretor, elenco e produtor. Difícil entender quem vai gostar disso aqui.

 

 

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