Crítica: 'Somente o Mar Sabe' emociona, mas falta encantamento

28/04/2018

Muitos gostam do longa-metragem A Teoria de Tudo, mas é impossível negar que o filme é cheio de obviedades e muito, muito formulaico. É lindo, sim, pela história de Stephen Hawking, mas raso em ousadias e criatividade narrativa -- como o físico merecia. Agora, o cineasta volta aos cinemas com o longa Somente o Mar Sabe. Bem mais ousado, mas ainda sem encantamento.

 

O longa-metragem acompanha a história real de Donald Crowhurst (Colin Firth), um empresário britânico e velejador nas horas vagas que resolve participar de uma competição para dar a volta ao mundo sem pausas em terra firme. No entanto, ao invés de algo organizado e sensato, a corrida de Donald para alcançar esse objetivo se torna desmedida e desesperadora. 

 

Marsh, então, constrói uma trama quebrada para contar a história. Afinal, se fosse linear, o longa-metragem seria maçante demais, já que as provações de Donald não são tão interessantes quanto em Até o Fim e ele nem tem um personagem para conversar como o Wilson, em Náufrago. A quebra da narrativa, então, é mais uma obrigação do que um grande momento criativo.

 

No entanto, ela é bem feita por Marsh, com edição rápida e que vai levando a história por um caminho interessante. Além disso, há uma espécie de reviravolta que surpreende e é inserida no momento correto, impedindo que a história morra e faça o espectador dormir. Os vinte minutos finais, aliás, são ótimos: Colin Firth (Kingsman) está entregue ao papel e David Thewlis (Mulher Maravilha) vai bem. Pena que Rachel Weisz (Negação) seja tão subaproveitada.

Ao final do filme, também surge uma ponta de reflexão e um certo arrepio quando uma informação é contextualizada. Mas, infelizmente, é um filme que se torna esquecível por não ter encantamento algum. Primeiro por conta da criação dos personagens, que não consegue transmitir empatia -- por mais que Colin Firth esteja ótima. Faltam momentos vigorosos também, assim como uma trilha sonora mais marcante -- infelizmente, é um trabalho fraco do falecido Jóhann Jóhannsson (A Chegada).

 

A trama também insiste em trazer alguns elementos que não servem em nada à narrativa. Há um plot envolvendo críticas ao jornalismo que está completamente largado na trama, sem qualquer contexto prévio coerente. Só tira força do final e enfraquece a trama. Uma pena.

 

Com isso, Somente o Mar Sabe é um filme correto, que emociona em alguns pontos, mas que não é tão inesquecível quanto os semelhantes NáufragoAté o Fim ou qualquer livro do navegador brasileiro Amyr Klink. Vale o ingresso? Se você gosta de tramas no mar e de história reais sobre figuras à margem, sim. Se gosta de se emocionar, também. Mas não gaste seu dinheiro se estiver esperando algo grandioso ou que, de fato, seja um grande estudo sobre personagens em situações limite. Se quiser isso, vá ver algum dos outros aqui citados.

 

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