Crítica: 'Voando Alto' é animação simpática para os bem pequenos

07/08/2019

Lembra daquelas animações genéricas livremente inspiradas em Carros? Ou, então, aquelas produções bem simples para crianças, como WheelyA Abelhinha Maya e afins? São filmes com um orçamento bem reduzido e focados para crianças bem, bem pequenas, que não vão se atentar às fragilidades da animação e se atentar, apenas, aos chavões e aos personagens divertidos. Este é o caso, também, do novo Voando Alto, filme que reimagina a história do "patinho feio" numa animação pobre, mas divertida.

 

Dirigido pela dupla estreante Christian Haas e Andrea Block, que possui larga experiência no departamento de efeitos visuais, a animação conta a história de Manou (Josh Keaton), uma andorinha que, ainda no ovo, acaba indo parar no ninho de um casal de gaivotas. Lá, ele acaba sendo criado de maneira diferente e não se sente integrante de sua própria espécie. É a deixa para que ele descubra outras andorinhas na região e, assim, se sinta parte integrante de um bando -- e faça amizade com a bela Califa.

 

Apesar da larga experiência de Haas e Block em efeitos, o grande defeito de Voando Alto é a animação. Ela é tão frágil quanto a desses exemplos citados no começo do texto e já afastam as crianças mais velhas de criar algum vínculo com a história. Parece com o que a Pixar fazia no início de seus trabalhos, ainda na década de 1990, com traços plastificados e pouca emoção. O orçamento, sem dúvidas, não deve ter sido dos maiores.

Além disso, a história é bobinha, bobinha. Por mais que o conto do Patinho Feio seja atemporal, aqui ele é tratado de maneira mais infantilizada. Parece que os percalços no caminho do protagonista Manou são sempre fáceis de lidar, de transpor. As dificuldades que o assombram sempre possui algum colorido e não traz desafios reais para a audiência, que vai assisti-los de maneira passível. Como dito, os bem pequenos devem se divertir com o peru amigo de Manou e com algumas músicas. De resto, nada mais.

 

Mas é claro, nem tudo é ruim em Voando Alto. A mensagem que passa, obviamente, é bonita e simpática, despertando um sentimento bom no público -- é uma boa maneira dos pequenos entenderem o que são as diferenças e como somos todos iguais, no final das contas. Por mais que o Esquina tenha assistido a versão dublada em português, vale ressaltar que há bons atores por trás do trabalho original. Willem Dafoe (Projeto Flórida) é o rígido pai das gaivotas, enquanto Kate Winslet (Titanic) é a mãe-gaivota preocupada.

 

A versão em português também é um bom trabalho de dublagem, apesar da voz irritante do protagonista Manou -- que, no original, é do dublador do jovem Hércules.

 

Assim, no geral, Voando Alto é um filme para levar os pequenos, fazer uma algazarra na sessão e depois tomar um sorvete no shopping. Ou, ainda, esperar para sair em streaming e VoD para exibir o filme várias e várias vezes pro pequeno se divertir. Não dá para considerá-lo uma daquelas grandes produções, mas também não é de todo ruim. É um filme assistível para quem ainda está conhecendo o cinema e tentando entender a magia da sala escura. Não é marcante. Mas também, nem precisaria ser de fato.

 

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