'Marvel e DC não representam nada para mim', diz R. F. Lucchetti

09/05/2017

 

Um crime misterioso, uma intensa investigação e o desfecho inesperado. Esta é a receita de todas as "pulp", revistas feitas em papel barato extraído da polpa da madeira (daí o nome) e que fizeram sucesso ao longo de grande parte do século XX.  Com narrativas simples, mas sempre detalhadas, essas publicações tomaram conta do imaginário popular e prepararam terreno para o surgimento das histórias em quadrinhos, alguns anos depois.

 

No Brasil, um nome alavancou este tipo de publicação: R. F. Lucchetti. Nascido na pequena cidade de Santa Rita do Passa Quatro, no interior de São Paulo, Lucchetti começou a publicar contos em meados da década de 1940 e, em pouco tempo, se tornou referência para histórias de terror e de suspense. Pode-se dizer que ele o pai do quadrinho nacional — afinal, apesar de não desenhar, é Lucchetti quem introduz as linguagens das HQs no País.

 

Depois do sucesso com as revistas "pulp", Lucchetti viu sua carreira dar um salto. Escreveu vários roteiros para filmes do Zé do Caixão, é autor do primeiro livro de horror no Brasil (Noite Diabólica) e, até mesmo, roteirizou a biografia em quadrinhos sobre o Silvio Santos e que deve ser relançada neste ano. Sem dúvidas, o paulista se tornou nome de importância no País por difundir conteúdos e produções que antes eram relegadas ao underground.

 

Assim, o Esquina conversou com Lucchetti sobre o mundo dos quadrinhos. Querendo saber suas opiniões, não deixamos de provocar.  Marvel, DC, mercado de quadrinhos, ostracismo. Nada saiu da pauta nesta entrevista. Abaixo, os melhores trechos da conversa com o "papa do Pulp" e o pai do horror brasileiro, R. F. Lucchetti

 

Como o sr. avalia o cenário de histórias em quadrinhos hoje em dia no Brasil? O setor recebe a devida atenção?

 

Infelizmente, os quadrinhos brasileiros praticamente não existem nas bancas de jornal e nas prateleiras das livrarias, onde só vamos encontrar material made in USA ou mangás. As editoras brasileiras não estão nem um pouco interessadas no que os quadrinhistas nacionais estão produzindo. Os quadrinhistas, então, têm de se valer de seus próprios recursos para verem suas obras publicadas. E, infelizmente, elas não recebem a devida divulgação.


A maioria dos quadrinhos por aí são da DC e da Marvel.

 

Esse material da Marvel e DC é o que eu chamo de quadrinho estereotipado. É uma alienação total. Roteiristas e desenhistas sem imaginação alguma produzem isso. Estragaram os personagens do passado. O que Stan Lee (na Marvel) e Gardner F. Fox & Carmine Infantino (na DC) criaram, os atuais roteiristas e desenhistas estão destruindo. Estão colocando tudo a perder. Resumindo: Marvel e DC não representam nada, para mim.

 

O sr. faz muito sucesso no Facebook, onde reencontrou seu público. Como é isso? Esperava este sucesso digital?

 

De dois anos e meio para cá, quando criei uma página no Facebook, fiquei surpreso com o resultado. Fiquei até mesmo assustado. Não imaginava ter um público tão grande. Minha obra está praticamente sendo descoberta agora. Por um público bem jovem. Isso é revigorante, principalmente para alguém da minha idade. Creio que poucos autores no mundo tiveram essa satisfação que estou tendo.

 

Quais os projetos futuros do sr.?

 

No momento, estou lançando A Filha de Drácula. É um livro com o roteiro inédito de um filme. O filme acabou não sendo produzido. Restou apenas o roteiro. E também estou escrevendo um livro, um romance, em que misturo o meu universo (mistério, suspense, horror) com o de Daniel Piquê, que é um compositor e DJ de projeção internacional. É um romance inovador. E, ainda este ano, sairá o sexto volume da Coleção R. F. Lucchetti: O Fantasma de Greenstock.

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