Nem tão ruim, nem tão bom: 'Amityville - O Despertar' é clichê, mas surpreende

13/09/2017

Normalmente quando eu assisto a filmes de terror, tenho a curiosa mania de tampar os ouvidos ao invés de tampar os olhos. Ouvir me dá muito mais susto do que ver, não sei se é loucura minha. A questão é que, a quantidade de vezes que me vejo na necessidade de tampar os ouvidos é igualmente proporcional a nota que dou para um filme de terror. E eu tampei bastante os ouvidos vendo Amityville – O Despertar.

 

Entendo que as chamadas “sequels” (sequências, em tradução literal) sejam incertas para muitos fãs de filmes do gênero, como eu. Nós nunca sabemos o que esperar delas e vamos combinar que, na maioria massiva das vezes, elas acabam deixando a desejar. Como Annabelle foi o único filme de terror bom que vi nos últimos dois anos, arrisco dizer, fui para a sessão do novo Amityville com as expectativas bem baixas.

 

Confesso que acabei, sem querer, subestimando Bella Thorne como protagonista do longa, por sempre vê-la em fracos papéis e produções de Hollywood e acabei sendo surpreendida pela moça. Devo dizer que ela tem aquele ‘quê’ perfeito para ser a queridinha dos filmes sanguinários. Apostem mais nela, pessoal.

 

Bella Thorne que, coincidentemente ou não, é Belle no filme, é a filha adolescente da família que se muda para o endereço satânico: o nº 112 da Ocean Avenue, em Long Island. Gêmea de nascença, seu irmão está em estado vegetativo há anos e é o motivo da mudança de casa. A mãe de Belle decide comprar a casa por um preço mais acessível (é claro), para estar perto da irmã, que a ajuda a cuidar do filho, e dos médicos que acompanham o caso do garoto. Apesar de James ter tido morte cerebral, a mãe se recusa a acreditar e acaba negligenciando as outras filhas, Belle e a pequena Juliet, que é a fofura do filme. Uma pequena dose de fofura em meio ao horror, sim.

Logo aqui aproveito para enaltecer um dos pontos mais fortes ponto do novo Amityville: ele nos dá respostas. Fiquei o tempo todo me questionando se eu saberia porquê a mãe age como age, porquê Belle me soou problemática e porquê o irmão está em coma. Todas essas respostas foram entregues no roteiro, sem maiores delongas, o que considero raro nos dias de hoje. Muitos dos filmes de terror frustrantes que vejo, só são taxados como frustrantes por subirem os letreiros antes de me entregarem respostas. Me deixem entender, pô!

 

Além do ciclo muito bem fechado, Amityville acerta nos sustos e na menção aos outros filmes da série, que faz parecer que o novo caso da casa nº 112 realmente está acontecendo. Sem muita trilha sonora e apenas algumas cenas repentinas dignas daquele pulinho da cadeira, foram muitas as vezes que tampei os ouvidos para evitar o choque. É disso que nós gostamos, certo?

 

Em suma, Amityville é só mais um filme de terror, mas não é. Em uma safra ruim de filmes sobre invocação e demônios que saem do nada e vão para lugar nenhum, produções clichês, mas bem feitas, chamam a atenção. Estamos acostumadas com entidades procurando corpos fracos para se apossaram (como é o caso do irmão de Belle), com porões macabros e com portas e janelas abrindo sozinhas.

 

Amityville faz uso de todo esse know-how, mas entrega na telinha alguma coisinha a mais, entrega um roteiro feito com certo tato, preocupado em conversar com o espectador aterrorizado em alerta. Esse não é o típico filme de terror que você sai do cinema querendo seu dinheiro de volta. Podem ir tranquilos.

 

ÓTIMO

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