'O Dilema' é ponto negativo da obra de John Grisham

07/03/2019

Para quem gosta de histórias jurídicas, o escritor John Grisham é um prato cheio. Com uma narrativa vertiginosa, que transforma o ritmo de batalhas jurídicas em verdadeiras cenas de ação, Grisham entrou para a história da literatura com obras como O Homem que Fazia ChoverA Firma e O Advogado. É um autor admirado, interessante e muito experiente.

 

Difícil, então, saber como o livro O Dilema faz parte de sua história. Totalmente fora da curva, é um livro que troca as interessantes batalhas jurídicas por uma verborragia sem fim que apenas ameaça chegar ao ponto alto, mas nunca fazendo com que isso aconteça. É um livro que fica sempre no quase: é quase emocionante, quase bom, quase interessante.

 

A história circula ao redor de Samantha Kofer, advogada de uma grande firma em Nova York que é demitida da noite para o dia após a crise de 2008. Sem rumo, ela acaba indo parar numa pequena ONG no interior de Virgínia para garantir o seguro médico e, ao mesmo tempo, brigar contra algumas grandes mineradoras que tomaram conta da região.

 

O primeiro grande problema do livro é em relação à personagem principal: ainda que sua origem e os problemas que a cercam sejam reais e palpáveis, há pouco de interessante em sua personagem. Ela não traz bons elementos à narrativa e a maioria dos acontecimentos que a cercam não trazem emoção à história. É tudo muito frio, distante.

 

No entanto, o grande erro de Grisham está na organização de tudo. Enquanto a maioria de seus livros focam em um grande caso, O Dilema é disperso e conta com um número absurdos de subtramas. O desenvolvimento jurídico, então, acaba dando lugar à longas conversas sem muito sentido e objetivo, principalmente sobre ecologia -- e por mais que o leitor goste do tema, cansa.

 

Ao final, não há recompensa pelo desbravamento das mais de 400 páginas da obra. Não há clímax, não há grandes momentos, não há grandes arcos. As coisas, simplesmente, acabam e, por mais que o livro seja bem escrito e trate de temas importantes, ele não vai além e não traz nada de novo. É um ponto fora da curva na quase impecável carreira de John Grisham.

 

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