Opinião: é preciso salvar o Belas Artes o quanto antes

01/03/2019

Na última semana, uma triste notícia se abateu na esquina da Consolação com a Avenida Paulista. O Cine Belas Artes, um dos mais tradicionais cinemas de rua do País, perdeu o patrocínio da Caixa e passou a ter o seu futuro incerto novamente. Segundo André Strum, dono do local e ex-secretário de cultura da cidade, pode fechar as portas em até dois meses, já que a bilheteria não é o bastante para pagar o aluguel e o corpo de funcionários. É, dessa forma, mais um passo no desmonte da cultura brasileira.

 

Logo que saiu a notícia, porém, houve quem comemorasse. Espumando de ódio e ignorância, algumas pessoas disseram que foi um acerto do Governo Federal, já que é "preciso parar de dar dinheiro pra cultura, pra Lei Rouanet". Quem diz isso, certamente, não sabe como a cultura é transformadora e, principalmente, educativa -- algo necessário num País como o Brasil. Um jornal chegou a dizer que o banco fez certo, já que o público é elitizado. Sem dúvidas, este jornaleco não sabe do programa social que o Belas promove com escolas da periferia da cidade, toda semana. Haja ignorância!

 

Isso sem falar, claro, da situação similar que vive a Mostra Internacional de Cinema e o Cinearte -- ambos dependentes do patrocínio da Petrobrás, sob ordens do novo governo.

 

É, dessa forma, uma triste realidade que se abate em todos círculos culturais no Brasil, onde o independente não consegue mais respirar. O Belas Artes, ainda que seja considerado elitizado para muitos, promove algo difícil no País: o lançamento de filmes alternativos que não têm vez em grandes cadeias de cinema, permitindo que o público tenha contato com produções de países diversos, gêneros inimagináveis e histórias que ficariam extremamente restritas. O Belas é um ambiente de promoção social, educacional e cultural. Um mix de coisas que o Brasil precisa urgentemente, pra ontem.

 

Ficar sem um espaço tão interessante faz com que a cidade -- e o País, claro -- se torne mais pobre nos aspectos que lhe são mais caros. Um Governo Federal que fecha os olhos para questões tão relevantes, e sem dar qualquer tipo de parecer, falha em níveis astronômicos. E não há previsão de qualquer mudança. Sem dúvidas, o atual presidente prefere manter os gastos astronômicos que correm dentro do Congresso e do Senado Federal do que olhar com carinho para a cultura e a educação. A sociedade, de novo, fica por último na conta. Ainda que, tristemente, seja ela quem desembolsa o dinheiro.

 

Neste momento, a torcida fica para que uma empresa privada enxergue todas as possibilidades de investimento num cinema tão importante quanto o Belas Artes. Muitos defensores, nas redes sociais, chamam a atenção de instituições financeiras como o Nubank e o Bradesco -- no entanto, dado o histórico das duas empresas na área da cultura e educação, é difícil haver algum movimento nesse sentido. Outras pessoas pedem que a Netflix olhe com o carinho para a questão. Quem sabe? Depois de Roma, o serviço de streaming passou a olhar com mais carinho para as salas de exibição. Ter um cinema em São Paulo facilitaria muito exibições com as feitas no final do ano passado.

 

O Belas é mais do que um cinema. É um instituição que promove cidadania, cultura, educação, vínculo social. É onde pessoas se encontram, é onde pessoas se deslumbram com o que veem na tela. É onde amigos se reúnem para madrugas, nos já famosos noitões. Seria um prejuízo inestimável para o País, numa época em que o fascismo está aflorado, perder um espaço que tanto tem a acrescentar. Salvem o Belas! Salvem a cultura do País! Não podemos deixar que a ignorância tome de vez essas terras.

 

Obs.: Um movimento natural tomou forma nas redes sociais para que as pessoas demonstrem seu carinho pelo Belas. Será no dia 17 de março. Evento AQUI.

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Posts Recentes
Please reload

Arquivo
Please reload

Publicidade