Opinião: Oscar 2019 faz história, mas com candidatos monótonos

22/01/2019

Pode-se dizer que a edição de 2019 do Oscar começou fazendo história. Roma quebrou um forte estigma (ou seria preconceito?) e se tornou o primeiro filme em língua espanhola a ser indicado na categoria principal. E não só isso: a produção de Alfonso Cuarón foi indicada em outras nove categorias, como Melhor Fotografia, Atriz, Atriz Coadjuvante e Roteiro Original. É um feito e tanto que merece forte comemoração, ainda mais quando o longa-metragem provavelmente fizer a limpa em, pelo menos, metade deles. Vai ser um momento e tanto pro Oscar, que se torna cada vez mais mexicano.

 

Ah, e é claro. Roma é o primeiro filme feito por e para uma plataforma de streaming que ganha tamanho destaque numa premiação. Pontos para a Netflix, que deve estar saltitante com esse avanço. O ótimo A Balada de Buster Scruggs, dos irmãos Coen, também produzido e distribuído pela Netflix, conseguiu emplacar indicações, em Melhor Roteiro Adaptado, Figurino e Canção Original. Esta mudança nos paradigmas indica que a indústria cinematográfica está mudando e, mesmo aos poucos, conseguindo acompanhar o público, cada vez mais fluído e digital. Interessante ver o que virá por aí.

 

Outro fator que ajuda o Oscar 2019 a fazer história é a indicação de Pantera Negra em Melhor Filme. É o primeiro filme de super-herói a conquistar um espaço nessa categoria. Além disso, ainda conseguiu nomeação em Trilha Sonora Original, Figurino, Edição de Som, Mixagem de Som, Direção de Arte e Canção Original. Não deve levar o prêmio em nenhuma das categorias, mas não importa. Mostra que mesmo sem o absurdo do prêmio para Filmes Populares, como anunciado pela Academia de Ciências Cinematográficas, está ocorrendo uma maior conscientização por parte dos votantes.

 

Além disso, vale ressaltar a boa atenção que o Oscar dispensou ao polonês Guerra Fria -- aqui no Esquina, rasgamos elogios. Não só emplacou indicação em Melhor Filme Estrangeiro, como era de se esperar, como também abocanhou uma vaga em Fotografia e em Melhor Diretor para Pawel Pawlikowski. Pena que não chegou na categoria principal, que ainda tinha mais duas vagas abertas. Merecia a indicação. Mas só com esse reconhecimento, em três categorias distintas, já dá pra comemorar e celebrar.

 

No entanto, nem tudo são flores no Oscar 2019. Há essas boas surpresas, mas muita coisa morna rondando a maioria das categorias. Em Melhor Atriz, por exemplo, ainda é difícil de acreditar no hype em torno de Lady Gaga, que faz um trabalho razoável. Emily Blunt merecia muito mais por Um Lugar Silencioso. Em Ator Coadjuvante, é difícil engolir a indicação de Sam Elliot e Sam Rockwell -- principalmente deste último, que só aparece em meia dúzia de cenas. O jovem Timothée Chalamet merecia muito mais por Querido Menino. Até mesmo o ótimo Steve Carell, por Vice. Difícil entender o Oscar.

 

Vale ressaltar, também, que alguns filmes entraram nas indicações apenas por lobby e marketing. Vice é o principal caso. Muito barulho para pouca coisa. Se a Rua Beale Falasse mereceu estritamente o ideal e felizmente ficou de fora do prêmio principal, assim como o mediano As Viúvas. O lobby, infelizmente, ainda vence e indica.

 

Também foi estranho não ver Culpa dentre os indicados de Melhor Filme Estrangeiro, mas dá pra entender pela extrema qualidade da categoria. Agora, a pior esnobada não foi de Bradley Cooper em Melhor Diretor, nem da Emily Blunt em Melhor Atriz. É difícil entender como o curta Lost & Found ficou de fora na categoria de Melhor Curta de Animação, que contemplou os fracos Animal Behavior One More Step. Sério que esses são melhores? Difícil engolir. Mas tudo bem, esse é um Oscar, aparentemente, para todos os gostos. Fãs dos quadrinhos, de filmes estrangeiros e americanos. De tudo um pouco. Mas não dos melhores.

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