Sherlock Holmes e Pedro Bandeira se unem em 'Melodia Mortal'

10/05/2017

 

O detetive Sherlock Holmes surgiu no final do Século XIX, quando Sir Arthur Conan Doyle fez o primeiro relato sobre as investigações e a sagacidade do personagem britânico. O sucesso foi quase instantâneo e Holmes, que caiu no gosto e no imaginário popular, atravessou os séculos e ganhou pernas próprias: novos escritores criam histórias usando a sua figura e suas particularidades. Agora, 130 anos após o primeiro conto de Doyle, Holmes chega ao Brasil pelas mãos de Pedro Bandeira.

 

Autor de clássicos juvenis como A Droga de Obediência e O Fantástico Mistério de Feiurinha, Bandeira apostou em Holmes para dar o tom de seu primeiro romance adulto, o suspense Melodia Mortal. No novo livro, escrito em parceria com o médico e amigo Guido Carlos Levi, contos envolvendo Holmes e seu escudeiro Watson aprofundam as histórias e os mistérios que envolvem a morte de grandes nomes da música clássica, como Mozart, Chopin e até Beethoven.

 

Para isso, Bandeira cria pequenos casos de mistérios a serem resolvidos por Holmes e que, por conta de uma relação próxima com a música, criam reflexões e novas investigações sobre a morte dos ícones. Afinal, teria mesmo Beethoven morrido por cirrose? Ou será que ele foi envenenado por uma grande quantia de chumbo? São questões e mistérios históricos e que, a partir da sagacidade de Holmes, tentam ser elucidados.

 

A partir desta premissa, Bandeira e Levi já marcam pontos com o leitor nas primeiras páginas, ao apresentar uma história, sem enrolação, em que Holmes investiga a morte de Belllini. É um caso obscuro na história médica e que ganha novos contornos com a mentalidade de Holmes e, até mesmo, novos pensamentos sobre a figura mística do compositor. Mesmo sendo ficção, acreditamos no que lemos e Bandeira, com sua escrita leve e juvenil, consegue traduzir de maneira a deixar toda a narrativa mais interessante e atrativa para os vários públicos que ali podem se encontrar.

 

O grande ponto à favor de Melodia Mortal, porém, é o respeito que os autores mantém pela figura de Holmes. Ao contrário de outros romances, como O Xangô de Baker Street e O Jovem Sherlock Holmes, o livro de Bandeira exibe as idiossincrasias do detetive ao longo de todas as 240 páginas, sem deturpar a essência do personagem criado por Sir Arthur Conan Doyle. São seis contos que parecem retirados de alguma coletânea perdida do escritor britânico.

Há apenas dois grandes erros e que incomodam um pouco a leitura: a aparição de Freud no meio de uma história e a insistência em se alongar nos relatos da Sociedade Sherlockiana — um grupo fictício de médicos que, ao final de cada um dos capítulos, comenta a morte da personalidade retratada. São discussões e conversas que, apesar de importância médica, não causam grandes reviravoltas na história. Sobre Freud, apesar de ter uma divertida passagem, não faz jus à realidade do restante das histórias.

 

No entanto, o livro ainda mantém o brilho e consegue não deixa o interesse acabar. São histórias intrigantes e muito bem conduzidas por Bandeira, que não deixa a figura de Holmes se sobrepôr ao seu objetivo de criar uma trama de mistério envolvendo ícones da música clássica -- nem o contrário, sobrepondo a figura de Holmes. Grande acerto de Bandeira, que mostra ter talento não apenas em criar histórias juvenis que acompanham nossas vidas, mas também  em escrever romances adultos que ficam em nossas cabeças por um bom tempo.

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