'The Code', da Netflix, falha ao tentar provar importância da matemática

23/06/2017

* Este post é de total responsabilidade do autor, Domenico Minervino. O site Esquina da Cultura não concorda com os pontos de vista expressos no artigo.

 

Lá nos meandros da Netflix,  escondidinho,  quietinho e quase esquecido está o  documentário The Code. Dividido em três partes, a produção é  apresentada pelo matemático  Marcus Du Sautoy e foi lançada, originalmente, em 2011.  Aí você pode me dizer que ninguém liga para ele justamente por ser uma produção de seis anos atrás  --  e, aliás, pode ser que você já tenha  assistido ao filme em questão anteriormente e estou gastando meu latim à toa.  Mas além de  The Code ter sido lançado há pouco tempo na plataforma de streaming, há outro assunto que quero falar sobre este título da Netflix: acredito piamente que a matemática não serve para nada em nossa vida. E pode, inclusive, até atrapalhar futuras mentes brilhantes. Calma que eu vou explicar.

 

Neste ponto do texto, você deve estar exultante, dando pulos de alegria, por ter alguém que pensa da mesma forma que você ou, ainda, pode estar extremamente raivoso, tendo a certeza de que eu sou um completo idiota. Bom, logo vou explicar o meu ponto de vista, mas não agora. Antes quero falar sobre o documentário em si. 

 

Ele é dividido em três episódios de aproximadamente uma hora cada. Ou seja: três horas que você poderia estar fazendo outra coisa de sua vida. Algo proveitoso, para sermos sinceros. Mas se você ainda insiste, tudo bem. No primeiro, Du Sautoy tenta mostrar que por trás de tudo no mundo tem um código matemático. O tal "código" seria a base de toda a existência. Se Deus criou o universo e tudo mais, não foi com um sopo e palavras, mas sim com toda essa engenhosidade. O matemático chega à conclusão no primeiro capítulo que o número mágico é o Pi -- ou seja, o 3,14. E agora vou perguntar:  quantas vezes você usou o  Pi, caso não seja da área de exatas?  Na padaria, pediu um pingado, um pão na chapa e um Pi a tira-gosto?

 

Já na segunda parte, é a vez da geometria entrar em cena. Destaque para o hexágono, que seria a forma escolhida pela natureza para poupar esforço.  Segundo o estudioso,  o universo é, no fundo, preguiçoso. E ele vai além e faz um estudo em cima de bolhas de sabão para ver  quais as figuras que elas representam quando se juntam. Não, não estou ficando louco. O matemático fica falando sobre formas de bolhas de sabão. 

 

Para finalizar,  Marcus Du Sautoy tenta provar que até mesmo  um criminoso pode ser encontrado com o código -- aquele que rege o universo. Passa pelo movimento dos estorninhos e pelo fluxo de pessoas em uma estação. Mas ele só fica nisso. Os seus estudos e sua certeza não são capazes de nos convencer que o que se vê no programa é realmente importante  ou que ele tenha ‘descoberto a América’.

 

Agora, voltemos para minha opinião: você não deve assistir The Code. Perdi três horas preciosas de minha vida por você. Quanto à matemática, voltemos à polêmica.  Como disse, não serve para nada. Para o estudioso Du Sautoy ela está por trás de tudo e rege o mundo. Para mim, tirando as quatro operações básicas, uma coisa ou outra, tudo o que abrange matemática é perda de tempo. Já fui obrigado, como  todo jovem estudante, a me aprofundar na matéria. Passei horas tentando entender onde usaria no meu dia a dia o seno, cosseno, a cotangente, os polinômios e logaritmos.

Muito provavelmente tudo isso é muito útil a um engenheiro, um arquiteto, um projetista. Mas e a você? Tenho certeza que nunca tais conceitos no seu cotidiano.

 

Então, fica a pergunta: por que matemática é tão importante? Na verdade ela pode até desanimar mentes promissoras de outra área do conhecimento. Por isso, talvez, muitos  jovens odeiem tanto estudar, pois não veem aplicação prática do que estudam em suas vidas. O conselho do Esquina é para que você não perca tempo com a matemática e nem tão pouco com The Code.

 

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