‘Um Pai de Cinema’ é poético, mas falha ao não se aprofundar

28/07/2017

Um dos principais lançamentos dos cinemas nacionais deste ano, O Filme da Minha Vida não saiu totalmente da mente de Selton Mello. Ainda que muitos dos elementos do longa tenham partido da interferência do cineasta, a espinha dorsal da trama nasceu no Chile, da mente poética e criativa de Antonio Skármeta -- autor, dentre outras coisas, de O carteiro e o poeta e Desnudo en el tejado.

 

Agora, Um Pai de Cinema -- nome original da obra, que também foi alterada por Mello para os cinemas -- chega ao Brasil pelas mãos da Editora Record, numa edição especial para a data, com capa inspirada no longa-metragem e com Johnny Massaro, protagonista do filme, em destaque. Apesar da edição especial, porém, a história de Skármeta continua sendo a mesma.

 

No centro da trama, encontra-se Jacques, um rapaz morador de um povoado chileno que vê sua vida mudar depois que seu pai, um francês, decide voltar para Paris. Enquanto isso, ele enfrenta o desânimo que abate sua mãe e tenta desvendar os mistérios amorosos com sua paixão, a jovem Teresa. Ou seja: em essência, é a mesma história vista no filme de Selton Mello.

 

No entanto, Um Pai de Cinema é bem menos inventivo do que a história encontrada hoje nos cinemas. Embalada por uma linguagem poética, a leitura é leve e rápida -- afinal, a obra tem pouco mais de 120 páginas e muitos capítulos contam apenas com uma folha. Assim, é uma obra sem floreios, sem enrolação. Ela vai direto ao ponto e não se preocupa em criar um ambiente para a trama.

 

Isso, porém, acaba derrubando a força da história: enquanto o filme ganha pontos por toda delicadeza que é criada em torno da personagem principal, Um Pai de Cinema fica atrás na criação de um ambiente adequado para a história. Não há exploração do drama e duas grandes viradas de trama, que são guardadas para o final do filme de Selton Mello, são reveladas de maneira quase banal.

 

É errado, porém, dizer que Um Pai de Cinema é ruim. Pelo contrário. É muito bom ler uma história leve como esta, com todo potencial poético e literário do escritor chileno. É preciso, apenas, se manter afastado das comparações com O Filme da Minha Vida e encarar o livro quase como uma história à parte. Se fizer isso, com certeza vai conseguir saborear a trama rapidamente, quase num suspiro, e sair dela um pouco mais leve.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Título: Um Pai de Cinema

Autor: Antonio Skármeta

Editora: Editora Record

Ano: 2011

Preço médio: R$ 34,90

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