• Matheus Mans

Apesar de interessante, ‘MasterChef Profissionais’ perde força com final ruim


Depois de uma temporada regular extremamente morna no início do ano, o reality show culinário MasterChef voltou com mais força na segunda edição para profissionais. Afinal, ao invés de selecionar os candidatos a esmo, a produção do programa da Band faz apuração prévia e, com isso, consegue candidatos mais interessantes: nesta edição, por exemplo, estava bem clara a função de vilão, de mocinhos e, ao longo do programa, algumas surpresas foram se revelando.

Clécio e Francisco -- ou Paizão, para íntimos -- logo tomaram as rédeas de vilões. Clécio, que tinha um sotaque mineiro extremamente artificial, logo caiu no ódio das redes por conta de sua devoção quase erótica pelo Paizão. Este, por sua vez, esbanjava arrogância desde o primeiro episódio, não dando dúvidas sobre a posição que assumiria ali. E assim como foi visto na última edição do MasterChef regular, um programa sem vilões definidos fica muito sem sal.

Além disso, os mocinhos também logo assumiram suas posições. Raví, que começou como um tipo mais quieto, logo mostrou grande potencial e caiu no gosto popular. Pena que saiu muito cedo do programa. Era um personagem de força. A americana-brasileira Luby foi uma outra personagem interessante da edição. Com sua mistura de linguagens -- teve até “baby vegetables” --, ela conseguiu atrair o público pra si e surpreendeu. Ficou mais tempo do que esperavam.

Enquanto isso, os tradicionais candidatos sem-graça que infestam as edições, por algum milagre, caíram logo no começo e deixaram o programa bem mais fluido. Bárbara Cardin, William e Pedro são alguns deles. Talvez você nem lembre quem são e, por isso, a minha tese aqui está mais que comprovada. Melhor saírem no começo e dar espaço pra pessoas como Luby brilharem e mostrarem, como ela mesmo disse em depoimento, “que não é só um rosto bonito”.

Quanto ao programa em si, o trio de jurados continuou afiado, ainda que Jacquin esteja um pouco menos agressivo do que antes. A grande sombra de carrasco caiu de vez em cima de Paola Carosella, que foi o destaque da edição e teve momentos de maior agressividade para cima dos competidores. As provas também apresentaram um grau alto de desafio: teve aquela bizarrice do turducken e a belíssima prova com os fotógrafos. Sem dúvidas, colocou os candidatos à prova.

O grande erro -- e que nem pode dizer que é uma falha do programa em si -- é a péssima final formada, concretizada com a vitória de Pablo. Francisco, como já dito, era o vilão e, apesar de se redimir um pouco nos últimos episódios, continuou no trono. Pablo, oponente na final, não era grande coisa também. Começou simpático, quase esquecível, mas ganhou força e acabou ficando mais convencido do que deveria. Nos últimos episódios, achava que Irina já poderia ir embora.

E assim como aconteceu com Dayse na primeira temporada do MasterChef Profissionais, teve momentos velados de machismo que incomodaram -- principalmente vindos de Pablo, mais perto da final, contra Irina. Infelizmente, a redenção não pode acontecer na final como aconteceu na outra edição, quando Dayse destruiu o prepotente Marcelo em um final que ficou marcada na memória. Nesta temporada, faltou o golpe final de Irina em cima de Pablo ou Francisco. Uma pena.

Essa final ruim talvez seja efeito indireto de um outro problema: o excesso de edições deste programa. Já são dois profissionais, quatro regulares e um infantil. Em algum momento, iria acontecer uma final ruim. É a velha teoria: de tanto jogar, em algum momento você acerta. Ou erra, como aconteceu aqui. Como já disse, talvez seja hora de colocar este formato de molho para respirar um pouco, tomar fôlego e voltar certeiro, com a participação do público. Falta isso.

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